Londrina - Nas lavouras do Norte do Paraná, as extensas plantações de soja, milho ou trigo indicam que a economia da região há muito tempo não depende mais dos cafezais. No imaginário dos londrinenses, porém, o gosto e o aroma do café continuam fazendo parte das mais antigas lembranças. Durante a Semana do Café, que terminou no domingo, no Museu Histórico de Londrina, a criatividade de pequenos empreendedores da região rendeu várias releituras desta bebida que alicerçou a economia da cidade. De doces a biojoias, quem passou pelo evento descobriu que o alimento mais típico da região pode ser usado para uma infinidade de coisas.
A chef de cozinha Mariana Maulaz, do Armazém do Café, criou um prato "fitness" para demonstrar aos visitantes. Ela fez panqueca de tapioca com recheio de ricota e café, que foi servido também em sanduíches. A bebida, segundo ela, é versátil e pode ser usada em molhos de salada, bolo e brigadeiro. "O tradicional cafezinho pode ser aromatizado. Dá para fazer muitas coisas", contou.
Ana Maria Leonardi, da boleria Dom Leonardi, se inspirou na bebida típica do Brasil para criar doçuras feitas de café. O bolo feito da bebida com doce de leite fez sucesso no Espaço Vivências, dedicado a promover a interação dos visitantes com a cafeicultura. "Era uma receita com baixo teor de gordura, mas achamos que o doce de leite era indispensável", brinca Ana Maria, lembrando que o doce faz alusão a Minas Gerais, de onde vieram muitos pioneiros da região.
A boleira dá uma dica para os cozinheiros que querem se arriscar a inventar receitas. "Por ter acidez, o café pode substituir laranja ou maracujá", ensina, lembrando que a bebida deve ser usada já coada.
Bruna Kanesiro e Bruna Sales, da Casa de Boneca, desenvolveram produtos para despertar a memória olfativa. Sachês para perfumar o ambiente foram feitos com grãos de café, assim como aromatizadores para a casa. Elas também confeccionaram as lembranças da Rota do Café em peças de cerâmica vindas do Piauí.
As designer Liliane e Simone Santiago inovaram ao confeccionar biojoias feitas a partir de grãos orgânicos. As peças, além de enfeitar quem as usa, também despertam o olfato por causa do aroma da matéria-prima. Sementes, pedras e metais banhados a ouro complementam as biojoias inspiradas na história de Londrina e região.
O corretor de imóveis Jaime Camacho se encantou com os produtos. "Está maravilhoso, todos estes produtos resgatam a origem da economia e do desenvolvimento de Londrina, que só cresceu graças à produção do café", disse ele, que aproveitou a oportunidade para experimentar diferentes tipos do tradicional cafezinho.

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