A notícia de que havia uma diferença de 93 nomes entre a lista de camelôs da CMTU e a da ONG Canaã espantou seu presidente, Ulisses Sabino. ''Que haja um ou outro nome diferente, tudo bem, mas esta quantidade é muito grande. Não sei de onde pode vir isso (essa diferença). Podem ter acontecido alguns casos de venda, de pessoas que provavelmente não merecem estar aqui, mas eu não sei de nada. Nossa lista me parece ser a mais certa. Se a CMTU decidir negar o alvará de alguém, vamos sentar e discutir a situação'', diz ele.
A comerciante Silvana Gonçalves Pena, da Acal, ficou chocada ao saber que seu nome não consta da lista apresentada à Folha como oficial pela CMTU. ''Trabalhei por quatro anos na avenida Leste-Oeste, sou camelô há tempos, tirei em sorteio a banca 163 do Shopping Popular, e isso está registrado em ata da Acal. Não entendo'', diz a vendedora, cujo nome consta da lista de recadastramento.
Os outros camelôs também não sabem explicar a diferença nas listas, e os comentários de vendas de boxe esfriaram no Shopping Popular. ''Não se fala mais nada. Não posso provar nada, mas sou camelô desde os tempos da rua, a ponto de conhecer todo mundo, e ultimamente ando vendo muita gente trabalhando nos boxes que eu não sei quem é'', diz uma vendedora, que não quis se identificar.

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