Curitiba - Em cada 100 pessoas no mundo uma sofre de doença celíaca, uma intolerância do organismo ao glúten, proteína contida no trigo, aveia, cevada, centeio e malte. O dado é do gastroenterologista pediátrico Aristides Shier da Cruz. A doença não é de origem genética, mas de predisposição genética. Pode afetar crianças, jovens, adultos e idosos e ocorre com maior incidência em mulheres. A doença celíaca é potencialmente letal, pois pode ocasionar a morte em decorrência de complicações devido a não absorção de nutrientes, como anemia profunda, inanição, raquitismo, diabetes, câncer de intestino, esterilidade e outras complicaçãoes. Mas, se o doente simplesmente não consumir alimentos que contenham glúten, que é a única forma de tratamento, ele garante qualidade e tempo de vida.
No Paraná existem duas associações que prestam assistência a celíacos: a Associação de Celíacos do Paraná (Acelpar), que possui hoje 380 associados; e a regional da Associação de Celíacos do Brasil (Acelbra), com 170 associados no Estado. O governo do Paraná não possui notificações da doença, que, segundo Rosa Valente, presidente da Acelpar e organizadora do 1º Congresso Nacional de Celíacos, que terminou ontem em Curitiba, ainda é desconhecida até por muitos profissionais da área médica. ''Muitas pessoas já podem ter morrido em decorrência da doença sem saber que eram portadores'', disse Valente.
De acordo com Aristides da Cruz, a doença celíaca causa graves lesões na mucosa do intestino, que vão se intensificando gradativamente. Assim, os nutrientes não são absorvidos. Mas, depois de diagnosticada a doença, a recuperação é rápida. ''A mucosa intestinal se recupera em até seis meses, e o crescimento ósseo pode demorar até um ano.''
Os primeiros sintomas, e também os mais frequentes são diarréias, vômitos, anemia, abdomen distendido, cólicas e gases. Os sintomas são logo sentidos depois da ingestão de determinado alimento que contém glúten.
Segundo a professora de dança Maria Helena Fernandez Correa, 38 anos, portadora da doença celíaca, a maior dificuldade enfrentada pelos celíacos é não especificação adequada da presença da proteína em embalagens de produtos industrializados. ''Como, pela lei, as empresas são obrigadas a dizer se o produto contém glúten somente acima de uma determinada porcentagem, considerada mínima, nós acabamos ingerindo produtos com a proteína. Os fabricantes deveriam especificar a ausência de glúten, e não a presença dele'', contesta.

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