Dieta equilibrada garante absorção de cálcio
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Fernanda Carreira <br> <br> Reportagem Local 
Considerado como uma das principais fontes de cálcio, o leite é visto por muitos como sinônimo de saúde óssea. É indicado principalmente para a prevenção de doenças como a osteoporose e osteopenia e para reduzir o risco de fraturas. Mas será que o consumo excessivo é benéfico para o organismo? Para especialistas da área de nutrição, o abuso não é recomendado. Isso porque a absorção do cálcio está relacionada à assimilação do nutriente pelo organismo e não à quantidade consumida.
De acordo com a nutricionista Lilian Lourenço, a assimilação do cálcio, conhecida como mineralização óssea, está diretamente relacionada à presença de outros nutrientes no organismo, como magnésio, zinco, manganês, potássio, cobre, vitaminas do complexo B, C, D e K , lisina, ômega 3, entre outros. ''Ou seja, para garantir uma boa saúde óssea não se justificaria apenas o consumo de leite e seus derivados, mas de uma alimentação equilibrada com produtos de origem animal e vegetal, já que, diferentemente do leite humano, o leite de vaca não é completo para a espécie'', ressalta. ''Sem o equilíbrio necessário entre os outros minerais, a assimilação do cálcio pelo organismo é menor.''
Segundo a especialista, o que mais diferencia o leite de vaca do humano é a composição de proteínas e o desequilíbrio entre os minerais. No leite humano, 80% do conteúdo proteico provem da lactoalbumina. No leite de vaca, esta mesma proporção é de caseína, que é responsável pela formação de coalho gástrico mais denso, de digestão mais difícil.
''Além disso, o leite de vaca contém a betalactoglobulina, uma proteína que não existe no leite humano e é comprovadamente a mais alergênica do leite de vaca para o ser humano'', acrescenta.
Com a presença de três vezes mais proteína que o leite humano, o de vaca é responsável pela acidez do PH sanguíneo e pode sobrecarregar os rins, quando consumido em excesso.
No entanto, esclarece ela, o leite não precisa ser excluído da dieta alimentar, já que um litro do alimento tem cerca de mil miligramas de cálcio. No entanto, a moderação no consumo seria o grande segredo para o bem-estar físico. ''O erro está na superingestão dele, por meio do consumo exagerado de seus derivados, como o requeijão, iogurtes, biscoitos recheados, queijo, bolos, chocolate, salames etc'', cita, acrescentando que diversos estudos têm evidenciado uma associação entre o alto consumo de laticínios e o aumento de incidência de diversas doenças, como diabetes tipo 2, ovário policístico, câncer, obesidade e síndrome metabólica, artrite reumatóide, dermatite, desordens gastrointestinais, entre outras.
Além disso, Lilian complementa que inúmeros estudos comprovam a relação de alergia tardia com dermatite, otite, rinite, sinusite, bronquite asmática, refluxo, gastrite, obstipação intestinal, hiperatividade, ansiedade e até mesmo depressão.
Apesar da quantidade de cálcio que deve ser ingerida diariamente não ser bem estabelecida, a nutricionista explica que, de forma geral, o recomendado para a ingestão deve ser de cerca de mil miligramas por dia. Crianças pequenas necessitam de quantidades menores. Na adolescência, gestação, lactação e adultos acima de 50 anos, as necessidades são maiores (cerca de 1 mil e 200 miligramas).
Para alcançar esses valores, ela sugere evitar grandes quantidades de produtos lácteos, introduzir vegetais folhosos verde-escuros, legumes, grãos, sementes (gergelim), peixes (sardinha), aliados a uma alimentação saudável e, quando necessário, fazer uso de suplementos dietéticos adequados.
O cálcio participa de diversas atividades enzimáticas, como contrações musculares, ações de neurotransmissores, regulação de batimentos cardíacos, coagulação sanguínea, além de manter a saúde dos ossos e dentes.



