Depois de mais de dez anos viajando de automóvel por todo o Paraná como vendedor de produtos alimentícios, o argentino Diego Maurício Diaz - no Brasil desde 1982, e em Londrina há mais de 14 anos - programava uma vida menos perigosa e mais pacata ao lado da esposa, Débora Francisconi, e de dois filhos menores. Para isto, comprou uma casa e mudou-se há três anos para Ibiporã (14 km a oeste de Londrina); e desde março deste ano tornou-se sócio de uma mercearia no Conjunto Vivendas do Arvoredo (zona sul).
O projeto de vida e os negócios iam muito bem, até que um ônibus cruzou, literalmente, o destino deste ex-piloto de avião e ex-instrutor de pára-quedismo. De repente, entre a jornada de trabalho da manhã e o intervalo para o almoço, Diego Diaz, 44 anos de idade, tornou-se mais um número entre as vítimas do caótico trânsito londrinense.
Era perto das 11h30 de uma terça-feira, dia 28 de de julho. O comerciante trafegava de motocicleta pela Rodovia Celso Garcia Cid (PR-445), no sentido Cambé-Curitiba em direção à sua mercearia, quando no cruzamento de acesso ao Catuaí Shopping Center foi atingido por um ônibus do transporte coletivo urbano da empresa Francovig. O ônibus era dirigido por José Procópio de Oliveira, que segundo testemunhas, não respeitou a preferencial e causou o acidente.
‘‘Só não morri porque estava usando capacete, que rachou com a força da batida, e porque sou muito forte’’, comenta Diego Diaz, que pilota motocicleta desde os 18 anos, e hoje está imobilizado na cama, com a perna e braço esquerdos semiparalisados. ‘‘O acidente foi grotesco, um absurdo. O resultado para a mim e minha família foi trágico. Já perdi cerca de 20 quilos de peso, nestes 40 dias de cama. Meu sócio colocou a mercearia à venda, porque não pode tocá-la sozinho, e ainda terei que vender outros bens para poder pagar o tratamento médico, que será longo e caro.’
Ele não chegou a desmaiar com o impacto do acidente, e os ferimentos pareciam inicialmente ter sido leves. Atendido com rapidez pela equipe do Siate, só na Santa Casa é que ele se deu conta da gravidade. O trauma da batida no tórax - o telefone celular foi quebrado dentro do bolso da camisa - deixou a mão e braço esquerdos sem capacidade de movimento. Os principais ossos da perna esquerda - na canela, coxa e joelho - foram quebrados em vários lugares, inclusive com fraturas expostas.
O estado de saúde dele piorou logo que deu entrada no hospital. Diego Diaz ficou em estado de coma durante cerca de 24 horas, e teve na sequência pneumonia e infecção generalizada. Entre UTI e enfermaria, foram 21 dias de internação, tendo passado por quatro cirurgias na mão, perna e joelho. ‘‘Só tenho a agradecer o eficiente atendimento recebido das equipes do Siate e da Santa Casa, onde o tratamento foi coberto pelo SUS’’, ressalta o comerciante, que está passando por tratamento particular com um fisioterapeuta e um psicólogo .
Como é muito grande e pesado e está sem condições de movimento, cada vez que Diego Diaz precisa voltar ao hospital para revisão médica uma equipe do Corpo de Bombeiros tem que tirá-lo do quarto pela janela. Segundo as previsões médicas - que não descartam inclusive novas cirurgias - ele só poderá colocar o pé esquerdo no chão dentro de 90 dias. Daí, se já tiver recuperado a força e movimento no braço esquerdo, o comerciante poderá começar a andar com o auxílio de uma muleta.
‘‘Enquanto este dia não chega, infelizmente, minha rotina é esperar deitado. Logo eu, que era superativo, agora estou aqui parado, dependendo dos outros para tudo. E ainda por cima, sobra o medo de outras cirurgias, de não me recuperar totalmente’’, comenta Diego Diaz, lamentando-se de não poder trabalhar e brincar com seus filhos. ‘‘No acidente, quase morri; e depois, em consequência, quase fiquei louco. Só aguentei firme porque tenho uma família estruturada e unida, que me dá toda a força de que necessito para continuar vivo e acreditando na minha recuperação.’

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