O silêncio e o respeito eram sentidos por todo o percurso da Rua Samaumeira, no Jardim Santa Rita (zona oeste), na manhã de ontem. Em especial nos fundos da casa número 275, onde vivia a família de Antônio Adriano Albano, 16 anos. Londrinense, ele era um dos quatro filhos do pedreiro Luiz Albano, 55 anos, e da costureira Maria Conceição da Silva, 39. Morreu executado com dez tiros às 15h20 da sexta-feira, na rua detrás. Foi a centésima morte por homicídio em Londrina no 2002. Os dois assassinos fugiram em uma bicicleta.
Assim como aconteceu com tantas outras vítimas da violência, uma vida esperava Antônio pela frente. Didi, como era conhecido, tinha passagens pelo Centro de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Era suspeito de crimes praticados em Londrina. O que não impedia que fosse querido pela família e por conhecidos. Ainda não tinha votado. Sabia conduzir uma moto, mas estava ansioso para poder começar a dirigir. E estudava. Cursava a oitava série. ''Olha, ele tinha planos para o futuro, e a gente achava que ele poderia superar tudo e ter uma boa vida'', lamentou seo Luiz ontem de manhã, no velório do garoto.
O menino também precisava providenciar a carteira de identidade. ''Faria 17 anos em 28 de fevereiro próximo, estava ficando maior'', recordou o pai. Os filhos chegam como um motivo para viver, uma alegria. Quando Antônio chegou, seo Luiz e dona Maria já tinham um filho, Pedro Luiz, de dois anos. O susto foi menor. Mas a partida foi dolorosa. Em casa, durante o velório, seo Luiz ainda tremia nas mãos. Maria, em estado de choque, teve que ser levada para o pronto-socorro.
Ontem pela manhã, além da saúde da mãe, a preocupação maior era avisar Pedro da morte do irmão . Ele está em São Paulo e trabalha com o sogro, como servente. Por telefone, até às 10 horas, ninguém tinha conseguido encontrá-lo. Enquanto a vizinha tenta o contato, José Carlos, o irmãozinho mais novo de Didi, traz as fotografias do sorridente garoto que, poucas horas depois, seria sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, na zona norte. Elas comprovam o que todos ali diziam: Antônio era um garoto como qualquer outro.

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