Curitiba

Albari RosaUltrapassadoProfessor Vasco Moretto, especialista em didática, acredita que o que vale é a capacidade de apreender o todo: ‘‘Com provas que cobram fórmulas e conceitos prontos, os alunos aprendem pouco e mal’’‘‘Ilha: uma porção de terra cercada de água por todos os lados.’’ A maioria das pessoas já ‘sabe’ de cor esse conceito, mas pouca gente parou para pensar sobre ele e descobrir que ‘‘uma ilha não é cercada por água no lado de cima’’. O exemplo, citado pelo professor Vasco Moretto, da Universidade de Brasília (UNB), serve para ilustrar que a didática utilizada pela maioria das escolas brasileiras está ultrapassada.
Para debater os novos rumos da educação nacional, cerca de 400 educadores de todo o País vieram a Curitiba participar de um encontro de docentes neste final de semana.
Segundo o professor Vasco Moretto, que dá aulas de didática no curso de pós-graduação da UNB, um dos maiores problemas da educação brasileira é que o enfoque das aulas e dos materiais didáticos está muito direcionado a conteúdos. ‘‘Com provas que cobram fórmulas e conceitos prontos, os alunos aprendem pouco e mal’’, comenta.
Para corrigir o sistema atual, umas das principais modificações teria que ser feita no conceito de conhecimento. ‘‘A nova visão diz que conhecer é construir significados, e não mais valorizar a quantidade de informações adquiridas ou decoradas pelos alunos’’, explica o professor.
Ele observa que a frase que mais deveria ser empregada pelos professores em sala de aula é ‘‘o que você quer dizer com isso?’’. ‘‘É preciso incentivar nos alunos a busca pelos significados’’, explica ele.
Outra alteração no sistema educacional diz respeito à concepção do erro. ‘‘Antes, o erro era punido. A partir de agora, o professor deve partir do erro do aluno para ajudá-lo a acertar. ‘‘É preciso perder o medo de errar.’’
Esses conceitos, previstos na nova Lei de Diretrizes e Bases, já estão sendo incorporados por algumas escolas e universidades brasileiras. Vasco Moretto cita como exemplo a Associação de Ensino Unificado de Brasília (AEUDF). Há três anos, a instituição vem aplicando uma nova fórmula de vestibular, que não cobra fórmulas, mas significados e relações. ‘‘Queremos formar pensadores para as próximas gerações, e não executores’’, comenta Moretto.
Para o diretor do Colégio e Faculdades Interlagos, de São Paulo, João Jorge Peralta, as idéias discutidas atualmente na área de educação ‘‘não tratam de nada utópico, mas de algo perfeitamente realizável’’. Em sua escola, diz ele, já estão sendo aplicados alguns conceitos de aprendizagem múltipla. ‘‘É preciso perceber que um texto de Machado de Assis está ensinando história, sociologia e psicologia, além do português. Assim como uma aula de matemática pode envolver tópicos relacionados à moral, ética e até português’’, acredita.

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