Deixar a rotina diária e viver – mesmo que por poucas horas – um ambiente diferente, a trabalho ou por lazer, exige mais que a atenção com as malas. Esquecer uma peça de vestuário traz problemas, mas deixar de lado os cuidados com a saúde é um risco que pode levar a sérias complicações. Conhecer as especificidades do clima do destino, se informar sobre a rede de assistência médica, saber quais doenças endêmicas e a necessidade de tomar vacinas devem fazer parte do planejamento do viajante com bastante antecedência.
  Outro ponto de alerta ao turista é não se arriscar quando o local da visita for acometido por doença infecciosa aguda. Também não deve ficar fora da lista de preparativos um levantamento sobre os hábitos alimentares da população e quais as condições para o consumo de alimentos.
  Uma dica é evitar o consumo de água e também de produtos preparados à base de água e gelo de origem duvidosa, alimentos vendidos por ambulantes, além das carnes exóticas cruas ou mal passadas. Deve ser ter cuidado especial ao ingerir peixes e frutos do mar, que podem causar alergias e, em alguns casos, até sintomas neurológicos.
  Quando o roteiro é por áreas de ecoturismo ou turismo rural, a natureza é quem pode trazer danos ao corpo. As áreas podem ser infestadas de diversas espécies de insetos e a flora oferece riscos como alergias e intoxicações. A exposição ao sol e a água contaminada também são fatores de risco.

Imunização
  Sem o cartão de vacinação atualizado, o passageiro pode ser barrado no momento do embarque ou ser obrigado a retornar ao Brasil após chegar ao destino. A Coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, explica que a principal vacina exigida em território internacional é a de febre amarela, mas essa não é a única. ‘‘Cada país tem exigências diferentes quanto à imunização. O mais indicado é entrar na Central do Viajante e consultar quais são as vacinas obrigatórias e recomendadas pela região que será visitada’’, explica.
  A maioria das vacinas leva, aproximadamente, dez dias para fazer efeito. Portanto, é importante que a consulta seja realizada com antecedência. ‘‘Para a Europa ou para Ásia também se recomenda tomar a vacina tríplice viral que protege contra o sarampo, a rubéola e a caxumba’’, destaca Carla.
  Outra medida que deve ser tomada antes da tão esperada viagem de férias é a troca dos cartões. O utilizado no Brasil não é o mesmo exigido no exterior. O nacional deve ser trocado pelo Certificado Internacional de Vacinação, uma carteira amarela emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Essa substituição deve ser realizada nos postos da Anvisa, disponíveis em todos os aeroportos internacionais do Brasil.
  As vacinas são fundamentais para a proteção do viajante e para manter o controle da proliferação de doenças. Vale lembrar que as imigrações dos aeroportos costumam ser rígidas e sem o certificado o viajante pode ser proibido de entrar no país desejado.

Cruzeiro marítimo
  A procura por cruzeiros marítimos vem aumentando no país, e seja para passear pela costa brasileira ou para fazer um itinerário internacional, alguns cuidados devem ser tomados.
  Os navios de cruzeiro são inspecionados por equipes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), presentes em diferentes portos nacionais. Apesar desse cuidado, casos de virose e intoxicação alimentar durante viagens de navio são noticiados. A probabilidade da proliferação de uma virose, por exemplo, é maior de acontecer em um navio porque todos estão em um mesmo ambiente, parcialmente fechado, sem poder sair.
  Algumas dicas básicas de higienização podem evitar surtos de doenças transmitidas por alimentos. Andrea Regina Oliveira, gerente de alimentos da Anvisa, dá algumas recomendações. ‘‘Lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou solução anti-séptica, principalmente antes de ingerir alimentos e após utilizar sanitários. Beber água tratada acondicionada em embalagens lacradas ou de fonte segura e evitar adicionar gelo de procedência desconhecida às bebidas’’, alerta.
  É importante que os viajantes estejam atentos à segurança e à qualidade dos alimentos. ‘‘É preciso assegurar-se de que todo alimento está bem cozido, frito ou assado; evitar o consumo de frutos do mar crus, leite e seus derivados crus, preparações culinárias que contenham ovos crus; e frutas e verduras danificadas, pois a casca protege esses alimentos de contaminação’’, recomenda.
  Os alimentos devem conter no rótulo a identificação do produtor e data de validade, e a embalagem deve estar íntegra. ‘‘Os alimentos perecíveis, já preparados, como salada e carne assada, por exemplo, devem ficar refrigerados. Os alimentos frios devem ser mantidos em baixa temperatura, abaixo de 5 C, e os alimentos quentes devem ficar bem aquecidos, sempre acima de 60 C. Eles não devem ficar em temperatura ambiente.’’

Imagem ilustrativa da imagem Dicas para uma viagem segura e com saúde
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