Analisamos, anteriormente, como se processa a gestação de um bom texto – da definição do tema à escolha da melhor perspectiva de abordagem; da exploração do assunto ao desenvolvimento de um roteiro prévio. Vamos observar agora o resultado desse esforço, avaliando o texto pronto, que foi escrito com base nos passos descritos nas dicas anteriores (quando usamos, como exemplo, o tema ‘‘Leitura’’).
Leitura pode ser um hábito mais do que gostoso
Quando lemos, por mais estranha que pareça esta afirmação, a conversa flui. O papo ocorre com a gente mesmo, com o autor, com os personagens, num agradável livre pensar. Isso é natural, pois refletimos sobre o que estamos lendo. Concordamos ou discordamos dos pontos de vista apresentados. Sentimo-nos estimulados a encontrar argumentos para reforçar ou refutar as idéias defendidas pelo escritor. Comparamos, mentalmente, a teoria descrita no livro com a prática que conhecemos.
Mas essa conversa pode se transformar numa viagem quando soltamos as rédeas da imaginação. Como portas que se abrem para o desconhecido, os livros nos levam a lugares diferentes, nos apresentam a pessoas interessantes, nos mostram outros costumes, outros modos de pensar...
Além disso, a leitura mexe com as nossas emoções. Rimos ou choramos com as alegrias e tristezas experimentadas pelos personagens. Desabafamos ou nos consolamos quando vemos situações, parecidas com aquelas que já vivemos, retratadas de forma dramática ou cômica, romanceada, enfim, nas páginas de um livro.
A leitura ainda nos proporciona muito assunto para conversa, nos ensina palavras novas e nos mostra como escrever de forma correta. Ao se tornar um hábito prazeroso, coopera para que ampliemos e aprofundemos nossa visão de mundo, estimulando nosso contínuo aprimoramento.
A estrutura lógica do texto
Avaliando o exemplo acima, dá para perceber que um texto nada mais é do que uma
SEQÜÊNCIA LÓGICA E COERENTE DE FRASES
QUE DESENVOLVE UM RACIOCÍNIO
COM SENTIDO PLENO.
Sob essa perspectiva, fica fácil notar que, para desenvolver um texto, precisamos de:
- Uma idéia(informação, opinião, pensamento, sentimento, percepção, impressão, tema, tese etc.);
- Palavras encadeadas em frases(para expressar a idéia);
- Uma linha de raciocínio(para dar sequência lógica e coerente ao desenvolvimento da idéia).
E o que mais? Amanhã continuaremos a fazer nosso estudo de anatomia, tentando responder a uma questão instigante: o que um texto tem a ver com um bombom?
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Ana Margarida Setti Rosa é jornalista da Folha e escritora

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