PRESSUPOSTOS DE UM BOM TEXTO – PARTE 1
Muitas pessoas acreditam que um texto nasce pronto. Nada mais enganoso, pois um bom texto começa muito antes de ser escrito. É preciso, primeiro, escolher um tema ou, quando um tema é sugerido, definir a perspectiva pela qual será analisado. Escolhido o melhor ângulo de abordagem do assunto, é necessário estudá-lo, explorá-lo e refletir a respeito, para encontrar uma linha de raciocínio que possa explicá-lo ao leitor, de forma agradável e coerente.
O tema precisa ser ‘‘fatiado’’
Para entender melhor como um bom texto começa, vamos supor que o tema sugerido fosse ‘‘Leitura’’. Como se trata de um tema genérico, abrangente, será preciso, inicialmente, ‘‘fatiá-lo’’. Isso significa relacionar as várias perspectivas sob as quais o assunto poderá ser analisado. Vamos a alguns exemplos (apenas algumas, entre as muitas ‘‘fatias’’ possíveis), utilizando o tema sugerido:
- As dificuldades que as pessoas têm para criar o hábito da leitura;
- Os benefícios que o hábito prazeroso da leitura traz;
- Os brasileiros lêem pouco;
- O mercado editorial brasileiro;
- Leitura X televisão.
Como escolher a melhor ‘‘fatia’’
Deu para perceber que ao ‘‘fatiar’’ um tema, estamos reduzindo sua abrangência, de forma a encontrar um ângulo do assunto sobre o qual tenhamos maior domínio – mais informações, idéias, opinião etc. Por um lado, isso vai facilitar nossa reflexão a respeito do tema e, por outro, quando formos escrever, vai dar mais objetividade ao nosso raciocínio.
Exemplo: depois de ‘‘fatiar’’ o tema ‘‘Leitura’’, eu escolheria a ‘‘fatia’’ – os benefícios que o hábito prazeroso da leitura traz –, pois, como professora de redação, conheço os inúmeros benefícios que a leitura oferece para quem quer pensar mais amplamente e escrever melhor.
Um roteiro prévio tem lógica
Escolhida a ‘‘fatia’’, será preciso organizar as idéias por meio de um roteiro, que deve responder à questão: como passar a mensagem? O melhor, nesse caso, é utilizar a lógica como fio condutor de nossas idéias. Segundo o dicionário (ferramenta indispensável para quem quer escrever bem), lógica significa ‘‘sequência coerente, regular e necessária de acontecimentos, de coisas.’’ (Aurélio)
Assim, usar a lógica para ‘‘amarrar as idéias’’ quer dizer, basicamente, ‘‘costurar’’ as informações, opiniões, idéias, numa sequência coerente, que identifique facilmente para o leitor como começa nosso raciocínio, quais os argumentos e informações que usamos para esclarecê-lo e defendê-lo e a conclusão a que chegamos.
Ana Margarida Setti Rosa é jornalista da Folha e escritora

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