Londrina - Na casa da copeira Terezinha de Souza Alves Carvalho, de 44 anos, o "treino" para o horário de verão começa dias antes da mudança do relógio. "Essa mudança faz uma confusão na cabeça da gente, que se não acostumarmos, certeza que vamos perder a hora", afirma.
Este ano o horário de verão começa à zero hora do domingo, dia 20 de outubro. Ela comenta que toda a família já está sofrendo por ter que acordar mais cedo, porém, a maior prejudicada é ela mesma.
"Eu entro às 5 horas no trabalho e, portanto, acordo às 4. Com o horário de verão, acabo perdendo uma hora de sono. É cansativo e desorganiza toda a rotina de casa. Atrapalha o horário de jantar, a hora das crianças irem para a escola, enfim, eu não gosto e nem acho que gera uma economia", justifica.
A obrigação de adiantar o relógio em uma hora aconteceu pela primeira vez no verão de 1931/32, instituído pelo então presidente Getúlio Vargas. A medida é adotada sempre nesta época do ano, quando os dias são mais longos por causa da posição da Terra em relação ao Sol e a luminosidade natural pode ser mais bem aproveitada, reduzindo o consumo de energia nos horários de pico e evitando o uso da produção das termelétricas, que é mais cara e mais poluente do que a das hidrelétricas.
A auxiliar de cozinha Altina Terezinha Ribeiro, de 38 anos, diz que nunca percebeu uma redução na tarifa de energia elétrica e acredita até no contrário. "Acho que a gente acaba gastando mais porque tudo em casa acaba ficando ligado até mais tarde", conta ela, que tem motivos suficientes para não gostar do horário de verão. De segunda à sexta-feira, ela acorda às 4 horas para ter tempo de se arrumar, preparar o café da manhã dos filhos e chegar ao trabalho às 6 horas. "São 40 minutos só de ônibus. Eu não sei quem inventou o horário de verão, mas eu queria dizer que ele não presta. Tem gente que fala que se acostuma, mas no meu caso só acostumo quando ele acaba", diz a moradora de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), em tom de brincadeira.
De acordo com Raimundo Nonato Delgado Rodrigues, especialista em transtornos do sono e professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), a preparação do corpo para o horário de verão deve começar com antecedência, principalmente com crianças, idosos e para aquelas pessoas que não podem ter seu rendimento funcional reduzido durante o dia.
A dica de Rodrigues é acordar 15 minutos mais cedo durante três dias, depois passar meia hora durante mais três dias, depois para 45 minutos, até chegar a uma hora de adiantamento. "Isso vai fazer com que, ao chegar o horário de verão, você não sinta absolutamente nada de diferença", explica.
Apesar das manifestações contra o adiantamento do relógio, inclusive nas redes sociais, onde comunidades virtuais somam milhares de membros contra o horário de verão, há quem expresse o gosto pelo período. "Para mim é até lucrativo porque, como temos uma hora a mais de sono, muita gente aproveita para treinar depois do expediente ao ar livre", observa Gilson Junqueira, personal trainer, que percebe um aumento na procura por aulas.
Além do dia parecer mais longo, a proximidade com o verão também acaba motivando muitas pessoas a se exercitarem. "Acho que a gente fica com mais disposição e essa hora de sol a mais dá para aproveitar para fazer algo diferente também, como adiantar um happy hour com os amigos", comenta o estudante Renan de Souza, aos risos.
O horário de verão vai até o dia 16 de fevereiro de 2014 e vale apenas para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. (Com Agência Brasil)

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