Cambé A diarista Marli Ramos, 35 anos, foi encontrada morta na tarde de ontem no quintal da casa onde trabalhava na área central de Cambé (13 km a oeste de Londrina). Segundo avaliação preliminar dos peritos do Instituto de Criminalística de Londrina, Marli foi eletrocutada por uma cerca elétrica improvisava que separa as duas casas do terreno. O corpo foi encontrado sobre a fiação. O contato provocou um ferimento profundo no pescoço de Marli.
De acordo com a perícia, quando ocorreu o acidente, a diarista estava descalça, lavando às janelas do fundo da casa da frente. Ela estava sozinha na casa. De acordo com a polícia, pelo menos duas vizinhas tentaram socorrê-la mas Marli já estava morta. A perícia deve responder uma das principais dúvidas sobre o acidente: se Marli caiu ao ser eletrocutada ou se sofreu o choque depois de levar um tombo.
O delegado de Cambé, Valdir Abrahão, responsável pelo inquérito, classificou a cerca elétrica um fio de 10 metros de extensão plugado em uma tomada, esticado sobre uma mureta de 1,20m de altura como ''uma gambiarra''.
Abrahão adiantou que o dono da casa, o engenheiro elétrico aposentado Gildo Trosdorf, deve ser indiciado por homicídio culposo. ''Quando ele decidiu instalar o fio, sabia que as condições precárias daquela fiação eram um risco tanto para crianças como para adultos. Ainda mais que era um profissional do ramo. Por isso deverá ser responsabilizado'', disse o delegado.
Trosdorf deve prestar depoimento à polícia hoje. Ontem, o delegado ouviu o marido da vítima, o pedreiro Cloney Machado de Souza, 39 anos. ''Ele disse que já havia alertado a esposa sobre o perigo do fio''.
Um familiar de Trosdorf, que não quis se identificar, disse que a família era ''muita amiga'' de Marli e que ''sempre ajudou'' doando roupas para ela, o marido e as duas filhas. Este familiar disse que Marli poderia ter tido um mal súbito e que ''ela pode não ter morrido eletrocutada''. Para o familiar, as relações entre as duas famílias continuarão boas e que o marido e as filhas terão ''toda a assistência possível.''
O mesmo familiar do engenheiro explicou que a cerca entre as duas casas tinha o objetivo de evitar que dois cães que ficavam na casa dos fundos chegassem à parte da frente. ''Era um choque muito suave, um comichão que apenas incomodava quem tocasse no fio'', garantiu. O delegado Abrahão estima que a potência do choque deve variar de 110 e 125 volts. Neste caso, a água e o contato da sola dos pés diretamente no chão poderiam ter potencializado a descarga.

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