UMUARAMA - A diarista Ivanilda de Souza Stécio, 43 anos, foi despejada da casa popular onde morava no bairro Patrimônio Umuarama, em Umuarama, por estar com as prestações atrasadas há cerca de quatro anos. A execução da ordem judicial deixou apreensivas outras 100 famílias do bairro, que já receberam notificações da Caixa Econômica Federal (CEF) e da Justiça Federal.
Quinze policiais, entre federais e militares, ajudaram no despejo da diarista, que com um salário de R$ 112,00 mantém o marido cego e três filhos - dois deles menores de idade. Os vizinhos tentaram impedir a ação e por pouco não houve um quebra-quebra. A fúria dos moradores foi contida por um grupo de cinco vereadores, que improvisaram uma nova moradia para a diarista e a família dela.
A família morava na casa havia quatro anos e desde que se mudou não pagou nenhuma prestação. Segundo Ivanilda, a casa é de propriedade de Sandra Regina Neves. Sandra, que possivelmente não está mais em Umuarama, teria abandonado a casa porque não conseguia mais pagar a prestação mensal de R$ 250,00.
O bairro Patrimônio Umuarama, um dos mais pobres da cidade, é o maior problema da Caixa Econômica Federal em Umuarama. Das 1.500 casas do conjunto, 1.000 já foram renegociadas com a CEF e passaram para outros mutuários. As outras 500, segundo a gerência da instituição, continuam sendo renegociadas, mas há a situação delicada de pelo menos 100 famílias, que nunca procuraram informações sobre o problema.
Os mutuários alegam que não conseguem pagar as prestações porque os valores ficaram muito altos devido às mudanças econômicas dos últimos anos. Em alguns casos, a prestação chega a R$ 300,00. Com o acúmulo de débitos, alguns moradores devem bem mais do que têm em bens.
A CEF alega que as casas, de 48 metros quadrados e localizadas em bairro com boa infra-estrutura, são para mutuários que ganham acima de três salários mínimos, o que contrasta com a situação atual do bairro, onde a média salarial é de um salário mínimo e meio. Uma reunião com mutuários inadimplentes deve acontecer hoje, às 14 horas, na agência local da CEF.

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