Diarista denuncia loja por discriminação racial
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terça-feira, 31 de março de 1998
Benê Bianchi 
Josoé de CarvalhoAção preparadaO advogado Laertes de Araújo: inquérito criminal e indenizaçãoOs advogados Hamilton Laertes de Araújo e Maria Elizabeth Jacob disseram ontem que vão ingressar, na próxima semana, com ação indenizatória contra as Casas Ajita. A loja é acusada de calúnia decorrente de discriminação racial. O fato teria ocorrido por volta das 12h30 do último sábado e envolveu a diarista negra Marlene Guedes dos Santos.
Marlene conta que entrou na loja com as duas filhas, uma de 9 e outra de 16 anos. Enquanto a mais velha provava uma sandália, ela diz ter levado a menor ao banheiro. Quando retornou, foi abordada por um rapaz que teria lhe tirado a bolsa para revistar.
Ele puxou a bolsa do meu ombro e já foi abrindo. Não dei nenhum motivo para ele fazer aquilo, afirma Marlene. Ela conta que tentou agredir o rapaz. Eu não costumo fazer isso. Mas na hora fiquei tão nervosa que comecei a gritar e tentei bater nele. Umas pessoas entraram no meio e impediram. Ele também tentou vir pra cima de mim.
Segundo Marlene, um policial que fazia ronda pelas proximidades da loja a orientou a prestar queixa na 10ª Subdivisão Policial (SDP), o que foi feito no mesmo dia. Marlene relata que a filha menor ficou bastante traumatizada. A menina teve febre após o episódio e, levada a um posto de saúde, foi encaminhada para tratamento psicológico.
Munidos do encaminhamento psicológico da menina e do boletim de ocorrência da 10ª SDP, além de testemunhos de pessoas que estavam na loja, os advogados preparam a ação indenizatória. Eles afirmam que também irão cobrar a instauração de inquérito para responsabilizar a loja criminalmente.
A ação será contra as Casas Ajita porque o funcionário estava cumprindo determinações da loja, comenta Laertes. Ele informa que o Código Penal prevê pena de 6 meses a 2 anos de detenção por calúnia e a Constituição garante a Marlene o direito de pleitear indenização por danos morais.
A Folha tentou ouvir os proprietários da loja. A reportagem foi atendida por Eduardo Ajita, que disse apenas que o funcionário envolvido é menor de idade. Ele não quis dar detalhes do caso. Vamos tratar isso na Justiça.


