Diarista denuncia caso de racismo
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sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem local 
Sem casa para abrigar a ela e os dois filhos, uma diarista moradora do Conjunto Cafezal (Zona Sul) decidiu no final do ano passado ocupar uma casa abandonada no bairro. O proprietário ingressou com ação de reintegração de posse e no final de julho a família teve de deixar o local. Tudo dentro da lei, não fosse por um motivo: ela alega que os oficiais de Justiça que foram cumprir a ordem de despejo a agrediram verbalmente de forma racista e a maltrataram. Inconformada com a atitude deles, a diarista denunciou o caso à Comissão de Direitos Humanos da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina.
Zenilda dos Reis, 36 anos, é mãe de duas crianças pequenas uma menina de oito anos e um menino de sete portador de hidrocefalia. Ela contou que, no final de julho, a família foi acordada por um oficial de Justiça, policiais militares (PMs) e conselheiros tutelares dizendo que teria que deixar o imóvel, localizado no Cafezal I. ''Fui para casa porque estava abandonada e falaram que todos os herdeiros tinham morrido'', argumenta.
Ela reclamou que os oficiais agiram de forma truculenta. ''Um deles olhou para mim e falou que para fazer aquilo só podia ser preta mesmo''. apontou a diarista. Zenilda afirmou que os filhos não puderam nem se alimentar.
Hoje, a família está morando de favor em um cômodo emprestado por uma amiga de infância. Zenilda alegou que tem dificuldades para alugar uma casa porque as pessoas não querem no imóvel o filho doente, que é muito agitado. Outro problema é a falta de recursos, já que o trabalho como diarista é eventual e a pensão que recebe por causa do filho não é suficiente.
Na próxima segunda-feira, a Comissão de Direitos Humanos da OAB e entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres e dos negros devem informar, em uma entrevista coletiva pela manhã, qual o encaminhamento que darão ao caso. Ontem, o advogado Jorge Custódio, que integra a comissão da OAB, preferiu não adiantar nenhuma posição porque não teria conversado com Zenilda pessoalmente.


