Diarista atropelada por ônibus ainda não recebeu indenização
Um ano e meio depois de ter sido atropelada por um ônibus da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), a diarista Olinda Maria de Araújo, 43 anos, continua esperando o desfecho da ação judicial que moveu contra a empresa. O acidente aconteceu no dia 25 de março de 97, na Avenida Madre Leônia Milito, Parque Guanabara (zona sul de Londrina).
O acidente aconteceu quando Olinda descia do ônibus com a filha de dois anos. O motorista fechou a porta e colocou o coletivo em movimento. A diarista perdeu o equilíbrio, caiu na rua e o ônibus passou em cima de suas pernas. A perna direita teve de ser amputada e a outra está inutilizada em consequência dos ferimentos.
Graças a Deus eu já tinha colocado minha filha na calçada. Ouvi as pessoas gritarem para o motorista parar e depois senti o ônibus passar por cima das minhas pernas, relembra. Presa a uma cadeira de rodas ela reclama do descaso e falta de humanidade da empresa.
Diz que, logo após o acidente, sua filha mais velha procurou a empresa pedindo assistência, mas foi informada que a TCGL não tinha nenhuma responsabilidade sobre o acidente.
Cansei de ver pequenos acidentes dentro dos ônibus. Freadas bruscas jogando mulheres com crianças pequenas no colo de um lado para outro e pessoas ficando com a mão presa nas portas. Mas nunca pensei que algo tão grave pudesse acontecer. Eles lotam os ônibus, acham que estão carregando gado; não se importam com gente, diz.
Olinda acusa a TCGL de estar usando todos os recursos legais para atrasar o processo, que está na Justiça desde abril do ano passado. A diarista quer uma indenização de R$ 600 mil. O cálculo inclui o salário mensal para o resto da vida da diarista e uma indenização que garantiria as várias cirurgias a que ela ainda tem de se submeter.
Olinda Araújo explica que nenhuma cirurgia vai fazer com que ela volte a ter uma vida normal, mas são necessárias para permitir mais comodidade. Hoje não tenho nem como usar uma prótese e a perna esquerda precisa ser operada para eu ter chance de voltar a utilizá-la, explica. Na primeira audiência de conciliação, em abril deste ano, a empresa ofereceu uma indenização de R$ 40 mil.
Com três filhos - de 20, 18 e 3 anos -, Olinda sempre trabalhou fora como diarista. Nos últimos 10 anos, diz, tinha serviço para todos os dias da semana, sempre nas mesmas casas, o que dava um ganho mensal de R$ 600,00. Agora, argumenta, a filha maior teve de parar de trabalhar para poder cuidar dela e da casa. Eu nunca mais vou poder trabalhar. Nunca mais vou ser independente. Nada vai pagar o meu sofrimento, mas o que a empresa está me oferecendo é uma vergonha. Não dá nem para eu ter a segurança de criar minha filha menor, afirma.
Procurada pela Folha, a assessoria jurídica da TCGL informou ontem que, apesar de Olinda não ter aceito a primeira proposta de acordo, pretende manter as negociações abertas. Se não houver consenso sobre o valor, a empresa vai acatar a decisão da justiça, recorrendo, sempre que possível, a outras instâncias se considerar o valor e condições arbitradas desfavoráveis.Josoé de CarvalhoOlinda: Graças a Deus eu já tinha colocado minha filha na calçadaCélia Baroni





