Diarista acusa Correio de violar correspondência
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terça-feira, 02 de março de 1999
Célia Baroni 
Mandar correspondência com dinheiro dentro é ilegal e pode acabar em prejuízo. A diarista Neusa Ramos, de 44 anos, afirma que uma carta enviada pelo filho, Adilson Ramos, de 20 anos, que está no Rio de Janeiro, foi violada. Ela conta que as cópias autenticadas dos documentos pessoais do filho chegaram, mas o dinheiro - R$ 100,00 - que estava no envelope sumiu. Tenho certeza que abriram a carta, tiraram o dinheiro de dentro e voltaram a fechar. Meu filho mandou uma carta registrada para ter certeza de que chegaria. Pagou mais caro para ter segurança e acontece isto, diz desanimada.
Ela mora no Jardim Nossa Senhora da Paz, zona oeste de Londrina, tem seis filhos e está desempregada. Uma parte do dinheiro enviado pelo filho era para comprar o material escolar dos filhos menores. Ele mandou cópia autenticada dos documentos para eu abrir uma poupança com a outra metade do dinheiro. O que é que eu faço agora? Neusa Ramos foi até o setor de distribuição do Correio, mas disse que não conseguiu nada. Eles dizem que não podem fazer nada, reforça.
O coordenador de Tratamento e Distribuição de Correspondência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, em Londrina, Vicente Alves, informou à Folha que a empresa não tem como ressarcir este tipo de perda. Ele frisou que a lei proíbe mandar dinheiro dentro das correspondências. Segundo Alves, só existem duas formas legais e seguras de enviar dinheiro: via banco ou vale postal.
A taxa é irrisória e a pessoa pode ir buscar o dinheiro em qualquer agência dos Correios do país. Ele informou que raramente os Correios recebem este tipo de reclamação.
Vicente Alves afirma ainda que não cabe à empresa questionar se o dinheiro chegou ou não a ser realmente enviado.
O que podemos garantir é que a carta era registrada. Não apresentava sinais de violação quando foi entregue, tanto que não houve reclamação ao carteiro quando do recebimento da carta, frisou.
O único recurso para a diarista tentar reaver o dinheiro é registrar queixa na delegacia e, depois, buscar o apoio da Procuradoria de Defesa do Consumidor (Procon).
Em seis anos de trabalho, este é o primeiro caso deste tipo que recebemos. Por isto não posso adiantar nada antes da reclamante apresentar a reclamação e avaliar a situação, adiantou a coordenadora do Procon, Sheila Azzalini de Angelo.


