Diarista aciona município por falsa gravidez
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sábado, 12 de novembro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A diarista Silvana Gonçalves Reis, moradora do Jardim Olímpico (Zona Oeste de Londrina), entrou ontem com ação de danos morais, cumulada com danos materiais, contra o município por ter sido vítima de um diagnóstico errado na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Conjunto Avelino A. Vieira. Em maio ela procurou atendimento médico para esclarecer os motivos do atraso na menstruação e lhe foi pedido um exame de urina, feito em laboratório próprio da prefeitura. O exame atestou resultado positivo para gravidez e Silvana passou os cinco meses seguintes fazendo acompanhamento pré-natal.
Em setembro a diarista foi consultada por outro médico, que diante da dificuldade de ouvir os batimentos cardíacos do bebê, pediu um ultrassom. O exame não detectou a presença do feto. Na sequência foram feitos dois exames de sangue um deles em laboratório particular que também deram negativo para gravidez.
Segundo Silvana, a descoberta do engano causou um grande transtorno para a família. ''Eu casei de novo há um ano. Os filhos do meu marido estão morando fora do País e os meus já estão todos grandes. Um deles tem problemas mentais e estava tão animado com a possibilidade de ganhar um irmão que chegou a escolher o nome.'' Apesar das dificuldades financeiras, a diarista há havia comprado berço e estava providenciando roupinhas e fraldas. ''Eu praticamente parei de trabalhar para seguir as recomendações médicas de repouso.''
A diarista também revela estar enfrentando situações constrangedoras. ''Tenho que ficar o tempo todo dando explições, para muitos eu virei alvo de piadas'', diz. Apesar de já ter passado por quatro gestações além dos três filhos vivos, um morreu de infecção generalizada, aos 11 meses Silvana afirma não ter notado que se tratava de um alarme falso. ''A minha pressão começou a subir muito, parei de menstruar e engordei 15 quilos'', conta.
A ação pede uma indenização de R$ 10 mil por dano moral e R$ 5 mil por danos materiais sofridos pela diarista. O advogado Louriberto Vieira Gonçalves explica que baseou-se na jurisprudência para fixar os valores, considerados mínimos por ele. ''A ação tem o sentido de alertar para o cuidado que deve existir ao se tratar de vidas humanas.''
A gerente do Programa Saúde da Família (PSF) da Secretaria Municipal de Saúde, Marilda Kohatsu, informou que aparentemente não houve erro médico e que o caso será encaminhado para análise da Comissão de Ética Médica. Ela observou ainda que todo exame apresenta uma porcentagem de erro, e que no caso de Silvana o quadro clínico era compatível com o resultado.


