Uma denúncia anônima levou a Polícia Civil de Foz do Iguaçu a prender, ontem à tarde, a diarista Rosane do Nascimento, 23 anos, que está sendo acusada por vizinhos de ter abortado e enterrado no fundo do quintal um bebê de sete meses. O episódio teria acontecido sábado, na casa da diarista, que fica no bairro Vila C, na presença de duas vizinhas. Rosane, que afirma não saber que estava grávida, nega que tenha provocado o aborto.
Ela mantém a versão de que estava com infecção urinária e que sentiu fortes cólicas quando aconteceu o aborto. ‘‘Eu sempre tive problemas com minha menstruação e por isso não me importei com o atraso. Há alguns meses fui num posto de saúde e o médico disse que era infecção urinária’’, afirma. A diarista disse ainda que sua menstruação estava atrasada há cerca de cinco meses e que as vizinhas que assistiram o aborto a denunciaram por causa de brigas pessoais.
‘‘Eu ajudei uma moça a conquistar o ex-marido de uma das minhas vizinhas e por isso elas quiseram se vingar de mim’’, justifica. O advogado Sérgio Gomes, que vai defender Rosane, disse que sua cliente teve um aborto natural e que enterrou a criança no quintal por ignorância.
As vizinhas afirmaram ontem no 2º Distrito Policial, onde foi instaurado o inquérito que vai investigar o caso, que Rosane teria comprado o medicamento abortivo Citotec, em Ciudad del Este, no Paraguai, e provocado o aborto, já que estava separada do marido.
O delegado Claudio Kikuchi, do 2º DP, disse que Rosane pode ser indiciada por infanticídio ou aborto, mas que não iria pedir a prisão preventiva dela. ‘‘Prefiro deixar o juiz decidir o destino dela. Por estar grávida ela pode ter agido sob forte impulso emocional’’, afirmou.
Uma das testemunhas do aborto, Irma Ribeiro, 28 anos, que é babá dos dois filhos de Rosane, contou ontem que o bebê foi expelido pela diarista dentro do vaso sanitário. ‘‘Eu peguei a criança de dentro do vaso. Ela ainda respirava, mas morreu em seguida. Era um menino, grande e pronto para nascer’’, explicou. Em seguida, as vizinhas teriam colocado a criança numa caixa de papelão e entregado à mãe, que enterrou o bebê no fundo do quintal.
Ontem, peritos do Instituto de Criminalística recolheram o corpo da criança e o encaminharam para perícia. O laudo sobre a causa da morte deve sair em 30 dias. Se for condenada por infanticídio, artigo 123 do Código Penal, que é matar o filho no parto ou logo após, a diarista pode pegar de 2 a 6 anos de prisão. Por aborto, código 124, ela pode pegar de um a três anos de prisão.

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