O delegado da Associação Brasileira de Anistiados Políticos (Abap) no Paraná, Ildeu Manso Vieira, 69 anos, ficou três anos preso em Curitiba durante o período da ditadura.
Dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ele trabalhava em uma empresa de produtos agropecuários quando foi detido, em setembro de 1975, em Curitiba.
Durante o período que passou em várias prisões da Capital, Vieira produziu um diário, que já rendeu dois livros. ‘‘Memórias torturadas (e alegres) de um preso político’’, já lançado, e ‘‘Sequelas das torturas’’, que deve ser impresso e lançado ainda este ano.
Quando deixou a prisão, Vieira se mudou para Mandaguari (33 km a leste de Maringá), onde está morando até hoje.
As torturas deixaram sequelas, segundo relata. ‘‘Os golpes chamados ‘telefone’ romperam o tímpano de meu ouvido direito, e apesar dos tratamentos, só 20% da audição foi recuperada’’, lamenta o presidente da Abap.
‘‘O mais difícil de superar é a sequela psicológica’’. Ele diz que tem dificuldades para dormir. Outros companheiros tiveram a vida arruinada pela tortura na prisão.
O médico Osvaldo Alves, também de Mandaguari, se desfez de todos os bens que tinha antes de ser preso, e hoje pratica medicina alternativa, mantendo uma vida simples.
O comerciário João Alberto Einecke, de Londrina, um dos mais torturados nas cadeias do Paraná, também nunca mais conseguiu retomar a vida.
O portuário Mário Gonçalves Siqueira, além das torturas na prisão, teve um filho de 11 anos morto atropelado por um veículo do Exército, pouco antes de deixar a cadeia. ‘‘Ele ficou abalado, voltou para o Nordeste e guarda sequelas psicológicas irreversíveis’’, afirma Vieira.

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