Na avaliação do superintendente da Iscal, Fahd Haddad, o aumento da violência e de acidentes de trânsito na cidade, o envelhecimento da população e a redução na taxa de mortalidade infantil são argumentos para o crescimento da demanda de leitos de alta complexidade.
Ele diz que o hospital filantrópico também enfrenta dias em que até quatro pacientes esperam por uma vaga de UTI. ''Se fôssemos todo dia nos jornais, a imprensa estaria morando aqui'', desabafa.
Num raio-X mais detalhado da situação, o superintendente da Iscal aponta que o hospital atende mais casos de urgência e emergência e que precisam de UTI, que o HU. Algo estimado por ele em torno de 20%. ''Há mais rapidez no atendimento da Santa Casa, principalmente em relação à distância do HU. Atendemos 60% dos socorridos pelo Siate''. São pacientes que precisam de uma vaga de UTI, leito que o superintendente da Iscal estima custar entre US$ 40 e US$ 50 mil.
''Um leito simples custa algo em torno de R$ 150 mil, podendo chegar ao preço de US$ 150 mil. Independente do custo, as UTIs são importantes porque salvam vidas'', avalia Haddad.
A diária de uma internação em UTI paga pelo SUS é de R$ 213,71, sendo que desde 1998, o Ministério da Saúde não reajusta esse valor. Os planos de saúde pagam R$ 360,00 pela diária de internação em leito de alta complexidade. Porém, algumas famílias desses pacientes acabam migrando para o SUS.
Já as diárias de internações particulares em Londrina custariam cerca de R$ 1 mil. Em São Paulo a diária pode subir de elevador, batendo os R$ 5 mil. Na ponta do lápis, o saldo é negativo, revelando que as UTIs dão prejuízos aos hospitais.
''Um paciente custa para o HU R$ 1.100 por dia. A internação completa de um paciente com septicemia (infecção generalizada) pode custar R$ 25 mil'', afirma o superintendente do Universitário.
Haddad lembra que há alguns antibióticos ministrados em pacientes graves que custam R$ 1 mil. Esses custos desequilibram o orçamento das instituições.
Mas, se os leitos de alta complexidade do SUS causam prejuízo para os hospitais, o que explicaria a ampliação de leitos em instituições filantrópicas?
O superintendente da Iscal lembra que no Brasil os hospitais filantrópicos representam 50% do número de atendimentos do SUS, sendo que 25% representam os que esperam na fila do serviço público. ''No serviço público, o Estado gasta três vezes mais com os pacientes do SUS, enquanto que os filantrópicos atendem um número maior de pessoas, sendo menos onerosos''.

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