Diálogo é arma contra violência nas escolas
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domingo, 23 de março de 2008
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Com o reinício das aulas no mês passado, muitas escolas voltaram a se preocupar com o envolvimento de seus alunos em brigas. Ponto de convergência dos jovens que vivem em suas redondezas, os colégios acabam se transformando em palco de confrontos pelos mais variados motivos. Violência que, segundo especialistas, geralmente é causada por uma minoria.
Fazer com que os alunos aceitem as diferenças de opiniões e incentivá-los a participar da tomada de decisões dentro da sala de aula podem ser meios para reduzir a violência nas escolas. Esses conceitos são aplicados pelo Projeto Não-Violência e vem trazendo resultados positivos. Prova disso é a Escola Estadual Cecília Meireles, uma das maiores de Curitiba. Há três anos utilizando estratégias desenvolvidas pelo projeto, a direção do colégio afirma que a indisciplina e o número de brigas reduziram significativamente.
A diretora da escola, Dilma Gouveia, conta que as brigas costumavam acontecer com frequência. ''Nossos alunos vêm de diversos bairros, todos violentos, e aqui acabava sendo uma espécie de arena de brigas'', diz. ''Quando fecha uma briga, vem a comunidade inteira. Houve vezes em que jovens quebraram garrafas para usar como arma. Outra vez a polícia veio aqui e levou um ônibus cheio de gente presa'', lembra.
Há três anos, a escola passou a ser atendida pelo Projeto Não-Violência. Inicialmente, a entidade fez uma pesquisa com os alunos. ''Foi detectado que uma melhor organização da escola, uma maior participação de todos poderia ajudar'', afirma Dilma. A partir daí, a direção passou a exigir mais disciplina em questões que antes não eram levadas tão a sério. ''Mexemos, por exemplo, na pontualidade'', diz a diretora.
O mais importante, porém, foi o incentivo para que os alunos participassem das decisões. ''Perguntamos a eles como é que a gente vai fazer se acontecer tal coisa e deixamos que eles coloquem suas opiniões. Como as decisões são deles, não deixam ninguém romper o acordo'', explica Dilma. ''Hoje, o projeto é o que está segurando a escola'', resume.
A coordenadora do projeto, Adriana Araújo, ressalta que o foco do trabalho é justamente na prevenção das situações de violência. ''Lidamos com seres humanos e seres humanos são diferentes. Quando tem diferença, tem conflito. Mas a diferença não é problema. O problema é como a gente resolve as nossas diferenças'', diz. ''Quando a escola se exime de ensinar os alunos a resolver seus conflitos pacificamente, ela está se eximindo de lidar com esse fenômeno da violência, que é consequência de um conflito mal resolvido. Evitar a violência não é jogar o problema para baixo do tapete e fingir que ele não existe''.


