Diagnósticos errados são freqüentes
Curitiba Diagnósticos errados nos casos de bipolaridade são freqüentes e podem levar até 10 anos para se confirmar. Essa é uma das razões da prescrição equivocada e exagerada de anti-depressivos e ansiolíticos, alertou o psiquiatra Diogo Lara. Os diagnósticos errados acontecem, em parte, porque os manuais de psiquiatria americano e europeu privilegiam o diagnóstico da depressão, criticou.
Segundo Lara, esses manuais só consideram o diagnóstico de euforia, quando essa sensação perdura por, no mínimo, quatro dias. A maioria fica dois dias eufórico, bota os pés pelas mãos e não está nem aí se o manual diz que é quatro dias. E essas pessoas estão com alteração de humor, enfatizou o médico.
O diagnóstico de depressão é mais comum, afirmou Lara, porque muitas das pessoas do chamado espectro bipolar têm muito mais sintomas depressivos do que euforias, particularmente, as que sofrem de bipolaridade leve, do tipo II. Segundo ele, a maioria dos experts de humor começou a perceber, apenas dos últimos cinco anos para cá, que não é só quadro de depressão pura, mas que os pacientes apresentam altos e baixos. E, nesses casos, a medicação indicada são os estabilizadores de humor lítio, ácido valpróico, carbamazepina e antipsicóticos. Esses medicamentos conseguem deixar a pessoa mais centrada, equilibrada, sem a necessidade de um anti-depressivo, acrescentou.
Nos casos realmente graves, de bipolaridade do tipo I, da fase de mania (euforia extremada), o melhor é uma internação psiquiátrica, indicou Lara. Isso porque a pessoa está se expondo moralmente, envolvendo-se em situação de risco, orgias, compras excessivas, desafiando autoridades, e isso acaba sendo problemático, observou.
Além da medicação, que é ainda o mais indicado para o tratamento dos casos moderados a graves, Lara destaca alguns hábitos simples para controlar as oscilações de humor como, por exemplo, sono regular, exercício físico aeróbico, trabalhar no que gosta, ter boas relações afetivas e primar por elas.
Lara lembra que as pessoas com o transtorno têm dificuldade em admiti-lo até por conta de sua natureza emocional. A ironia é que as pessoas de temperamento forte gostam de dominar, tem uma tendência a dominar, a influenciar os outros e não percebem que sua desregulação de humor é que domina ele ou ela.
A referência do psiquiatra em seu livro quanto a dominar os altos e baixos do humor tem a ver com o que ele chama de virar o jogo. É para que a pessoa perceba que o humor desregulado está sabotando sua vida, seu progresso profissional, as relações pessoais e busque os recursos que existem para mudar essa situação, disse ele . (A.L.)





