Arquivo FolhaMédicos recomendam exames preventivos periódicos: doença evolui lentamenteComo já diziam nossos avós, prevenir é melhor que remediar. No caso do câncer ginecológico, é mais que isso: é salvar vidas. Fazer o diagnóstico precoce do câncer ginecológico é o principal objetivo do Programa de Prevenção e Controle do Câncer, que ainda não foi lançado oficialmente, mas já está funcionando em todos os municípios do Paraná, com 535 médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem treinados e aptos a realizarem a coleta para o exame preventivo.
O câncer do colo do útero e o de mama são os dois tipos que mais atingem as mulheres. Cálculos da Sesa estimam que cerca de mil casos surgem por ano e o Registro Estadual de Patologia Tumoral revela que 77% dos diagnósticos acontecem tardiamente, já como carcinoma invasivo. A demora em diagnosticar a doença mata anualmente 340 mulheres por câncer de colo de útero e 360 por câncer de mama no Paraná.
‘‘O câncer evolui lentamente, levando de 10 a 15 anos para se desenvolver e não apresenta sintomas no início. Por isso, o exame preventivo papanicolao deve ser rotina para as mulheres’’, alerta Márcia Huzulac, diretora de Planejamento da Sesa e coordenadora do programa de Controle do Câncer Ginecológico.
O projeto é pioneiro no Brasil e pretende alcançar 85% das mulheres paranaenses nos próximos quatro anos e mudar o quadro de morbidade em oito anos. Para isso, a primeira faixa-alvo são as mulheres de 30 a 49 anos, mais sujeitas. No próximo ano, a faixa de maior interesse do programa será a dos 20 a 29 anos; em 1999, a dos 50 a 69 anos e no ano 2000 a faixa acima dos 70 anos.
Pesquisas atualizadas indicam que somente 13% das paranaenses fazem regularmente o exame. E muitas nem vão buscar o resultado: ‘‘Confundem o exame preventivo com a prevenção em si. Não basta fazer o exame, é necessário saber o resultado e, se for o caso, iniciar o tratamento’’, explica Márcia Huzulac. Em 90% dos casos diagnosticados precocemente a paciente se recupera.
DesafioO grande desafio do programa é levar aos postos de saúde mulheres que nunca fizeram o exame, e que são a grande maioria. Muitas pensam que dói, mas o exame é indolor, simples e rápido. Exige-se ter passado pelo menos uma semana da última menstruação; não ter relações sexuais 48 horas antes; não usar medicações vaginais ou fazer lavagem interna 48 horas antes do exame.
A periodicidade dos exames é trianual e o acompanhamento é como nas vacinas: ao retornar para apanhar o resultado, a data do exame seguinteserá anotada numa carteirinha.
O Programa de Controle do Câncer Ginecológico está sendo implantado e desenvolvido com recursos próprios da Sesa, que se responsabiliza pelo pagamento dos exames preventivos (papanicolao) e do material usado na coleta. A Sesa conta com a parceria dos municípios, sociedades científicas, universidades, entidades de saúde da mulher e a sociedade civil organizada para promover a massificação dos exames preventivos entre as mulheres.
Os cursos de treinamento dos profissionais da Saúde nos municípios foram realizados pela Associação Brasileira de Enfermagem, pela Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná e a Sociedade Brasileira de Patologia e Citopatologia garante a qualidade dos exames realizados.

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