Londrina - Hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica muito antiga, e já causou muito estigma e preconceito aos portadores da moléstia. Segundo artigo do médico Drauzio Varela, existe referência à hanseníase em livros escritos na Índia e na China, datados de séculos antes de Cristo. Com o avanço da Medicina, a partir de 1900, encontrou-se a cura. Se o tratamento for iniciado cedo, com medicamento via oral, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o portador se recupera totalmente, sem apresentar qualquer sequela.
A bactéria Mycobacterium leprae, responsável pela hanseníase, foi descrita por um cientista chamado Hansen – por isso o nome da doença passou de lepra para "hanseníase" – em 1873. A dermatologista Cristina Aranda, da 17ª Regional de Saúde, ressalta que o maior problema da doença é ela não ser diagnosticada cedo. "A hanseníase tem tratamento e cura mesmo quando é descoberta tardiamente, o problema é que, nesses casos, o paciente muitas vezes fica com sequela, pode perder função do nervo afetado ou mesmo ficar com alguma deformidade", explica. Ela afirma que, se a bactéria afetar de forma definitiva algum nervo, o paciente fica curado no sentido de não produzir mais bacilos, não infectar ninguém nem produzir novas lesões, mas muitas vezes o dano já causado é irreversível.
Para a médica, é importante alertar a população porque a hanseníase é altamente incapacitante. "O principal sintoma da doença é que ela causa manchas pálidas, brancas ou avermelhadas pelo corpo, com perda ou alteração de sensibilidade ao calor e ao tato. Outros pacientes sentem formigamento nos dedos das mãos, perda de força, ou fisgadas", explica.
Se as lesões começarem a se espalhar pelo corpo, o tratamento pode ser mais demorado. "Geralmente ele dura entre seis meses e um ano". Em casos de aparecimento de manchas, lesões, úlceras nas pernas e pés, febres combinadas com edemas e dor nas juntas, ressecamento nos olhos, mal estar geral e emagrecimento, é necessário buscar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para ser feito o diagnóstico e o encaminhamento ao tratamento.
Apesar de a doença poder ser transmitida pelo ar, o contágio é baixo. "O paciente não precisa ser isolado, nem afastado do trabalho e do convívio familiar", finaliza a médica. (P.B.O.)

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