Diagnóstico preciso da hanseníase
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Wilhan Santin<br>Equipe da Folha 
Primeiro de Maio - Os casos de hanseníase em Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina) chamam a atenção. Nesse município, a incidência é de 22 casos para cada 10 mil habitantes. Municípios vizinhos como Alvorada do Sul (2,24 casos para cada 10 mil habitantes) e Porecatu (1,34 caso para cada 10 mil habitantes) apresentam índices bem inferiores. Londrina tem índice de 1,09 caso para cada 10 mil habitantes.
Estaria Primeiro de Maio enfrentando um surto da doença ou o diagnóstico é que está sendo preciso no município? Esse questionamento chegou ao Ministério Público. Para o promotor Tiago Gerardi - da Promotoria de Justiça do município -, que analisou a questão, não há nada de errado em relação à doença na cidade. "Os nossos dados são estáveis desde 2001. O que percebemos é que temos uma médica que efetivamente faz o diagnóstico da doença. Por isso temos tantos casos", responde o promotor.
A médica a que ele se refere é a neurologista Tânia Tokos, que há mais de 25 anos faz o trabalho de diagnóstico da hanseníase. Segundo ela, Primeiro de Maio tem tradição nesse trabalho. Antes de 1950, já havia profissionais voltados a esse tipo de atendimento no município. Com o serviço preciso, os casos aparecem, evidenciando que os índices podem estar subestimados em outras localidades.
Ela explica que o diagnóstico pode ser feito de forma simples, mas exige exame detalhado, dando atenção aos sintomas que podem evidenciar a doença, principalmente as manchas na pele.
Partindo do princípio que os doentes de hanseníase têm dificuldade para identificar o que está quente e o que está gelado, ela utiliza tubos de ensaio, alguns com água quente e outros com água gelada. Encostando os tubos na pele dos pacientes, checa a sensibilidade térmica.
Se confirmada a dificuldade para distinguir frio e calor, o passo seguinte é pedir exames clínicos e uma biópsia apenas para confirmar o diagnóstico. Se realmente se tratar de hanseníase, é só dar início ao tratamento. As chances de cura são altas. "Em mais de 20 anos só dois pacientes do município chegaram a ter sequelas".
"O grande problema que nós percebemos é a falta de sensibilização dos profissionais de saúde para o problema da hanseníase", enfatiza a enfermeira Fabiane Reis, que trabalha em equipe com Tânia.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, no Paraná, a incidência da doença é de 1,03 caso para cada 10 mil habitantes. Porém, a assessoria de imprensa da Sesa se negou a revelar à reportagem os índices de todos os municípios do Estado sob a justificativa de que eles poderiam ser "mal interpretados".


