Diagnóstico impreciso agrava sintomas da LER
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quarta-feira, 09 de maio de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
A maioria dos médicos ainda é pouco preparada para diagnosticar Lesões por Esforços Repetitivos (LER). A afirmação, do médico do trabalho Antônio Carlos Monteiro Ribas, revela a dificuldade que ainda existe para se identificar e tratar doenças dessa natureza. As lesões se manifestam a partir de um conjunto de doenças que atingem músculos, tendões, nervos, mãos, braços, pescoço e coluna vertebral. Normalmente, são provocadas por esforços excessivos ou repetitivos e continuados durante longo período de tempo.
De acordo com Monteiro Ribas, a LER é uma doença multifatorial, por isso seu diagnóstico deve levar em conta a avaliação histórica da doença, local e tipo de trabalho e, inclusive, as condições sócio-econômicas do paciente. Ele explica que as lesões podem ter relação não só com o tipo de atividade desenvolvida no ambiente de trabalho, mas também com aquelas realizadas dentro de casa.
A imprecisão no diagnóstico, afirma Ribas, acontece justamente porque os médicos não consideram todos os fatores associadamente. O profissional tem conhecimento em ortopedia, mas desconhece, por exemplo, conceitos de ergonomia. Segundo ele, a falta de preparo pode levar a um tratamento inadequado.
A LER, quando diagnosticada na fase inicial, pode ser facilmente tratada e tem cura. Nas fases agudas a doença é tratada com fisioterapia, analgésicos e melhorias nas condições de trabalho. Já numa fase crônica, o paciente é submetido até ao uso de antidepressivos. Ele garante que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o antidepressivo não causa dependência.
João Carlos Job, 41 anos, é uma das vítimas da LER e teve comprometidos os movimentos das mãos. Depois de sete anos trabalhando na Caixa Econômica Federal, acabou aposentado por causa da doença. Os sintomas, segundo ele, começaram a aparecer em 1992. Três anos mais tarde foi afastado para tratamento e, em 1998, foi aposentado. O ex-bancário disse que sofreu com discriminação dos colegas e superiores que tratavam a doença não como LER, mas como lerdeza.
Projeto de lei do deputado Orlando Pessuti, que trata do estabelecimento de normas para prevenção da LER voltou a ser discutido ontem em fórum realizado na Assembléia Legislativa. A proposta foi apresentada em 1999 e ainda aguarda aprovação. O objetivo do fórum era discutir a proposta com instituições envolvidas e ajustar o texto final.
O projeto propõe que as empresas adotem pausas de pelo menos 10 minutos a cada 50 minutos trabalhados. Também sugere mudanças nos processos e organização do trabalho de forma a permitir alternância das tarefas. Projeto prevê multa para empresas que não se adequarem,


