Diagnóstico é arma contra o câncer infantil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Quem vê o garoto Mateus, 9 anos, exibindo sua habilidade em dançar o célebre passo Moonwalk, de Michael Jackson, para as lentes do fotógrafo, não imagina que ele já passou por um sofrido tratamento contra o câncer. Diagnosticado há dois anos com a doença no sistema linfático, ele enfrentou corajosamente as sessões de quimioterapia, que provocavam vômitos e muito mal-estar, e hoje está curado.
Ontem, Mateus e sua mãe participaram de uma festa no Hospital Universitário (HU) em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Câncer Infanto-Juvenil, comemorado em 23 de novembro. Para informar a população sobre a importância do diagnóstico precoce, a ONG Viver e o hospital realizaram várias atividades de esclarecimento e orientação à população no hall de entrada da instituição.
A oncologista pediátrica Tania Azegawa explicou que, diferentemente do câncer nos adultos, o câncer infanto-juvenil não tem prevenção. ''Como não há clareza sobre os deflagrantes da doença, investimos no diagnótico precoce'', afirmou. Segundo ela, a chance de cura em crianças e adolescentes, em geral, chega a 75% a 80%.
Quanto mais cedo o problema for identificado, maior a possibilidade de superá-lo. ''No caso da leucemia, que é o câncer mais comum nessa parcela da população, as chances de cura chegam a 97%'', disse. Na década de 1960, de cada grupo de 1,5 mil adolescentes que enfrentaram o câncer infantil, apenas um sobrevivia. Hoje, o índice é de uma pessoa para cada 250. ''Apenas no curso de Medicina da UEL temos três alunos que tiveram a doença na infância'', exemplificou.
A médica ressaltou que os sintomas gerais do câncer - febre prolongada, perda de peso e palidez - assemelham-se aos sinais de outras doenças. ''Por isso, é importante procurar sempre o pediatra'', recomendou.
Ela enfatizou que o assunto ainda é tratado como tabu por muitas famílias, que demoram a procurar assistência médica por não terem coragem de enfrentar a realidade. ''Alguns pais procuram guias espirituais ou mesmo outros médicos que não confirmam o diagnóstico. Quando eles resolvem iniciar o tratamento, pode ser tarde.''
A mãe de Mateus, Marinalva Francisco de Souza, procurou orientação assim que observou gânglios que cresciam no pescoço do filho. ''No início, eu achei que ia perdê-lo. Depois, entendi que a doença tem cura'', contou. Ela recorda que o filho, antes ativo e brincalhão, chegou a perder a vontade de brincar. ''Hoje ele voltou a ser do mesmo jeito de antes da doença'', comemora.
Cacilda de Souza Santos, 32 anos, enfrentou o mesmo drama com o filho João Henrique, 12, que foi diagnosticado com câncer no pulmão aos 9 anos e hoje está curado. O tratamento sofrido e a cirurgia cheia de riscos a que o garoto foi submetido levaram a mãe ao desespero. ''Alguns médicos chegaram a dizer que ele não tinha chance de sarar. Entrei em depressão'', relembra.
Três anos depois, João está curado e leva uma vida quase normal, a não ser por dificuldades para correr e fazer esforços pesados. ''No começo é muito difícil. O conselho que eu dou aos pais que passam por essa situação é que tenham muita fé.''
SAIBA MAIS
Sintomas e sinais de alerta do câncer infanto-juvenil:
- Palidez inexplicada
- Febre prolongada, sem causa identificada
- Perda de peso
- Reflexo esbranquiçado no olho quando da incidência da luz
- Caroço em qualquer parte do corpo, principalmente na barriga
- Ínguas de crescimento progressivo
- Crescimento do olho, podendo estar acompanhado de mancha roxa no local
- Dores nos ossos e nas juntas, com ou sem inchaço
- Manchas roxas ou sangramento, sem machucado
- Vômitos acompanhados de dor de cabeça, diminuição da visão ou perda de equilíbrio
Fonte: ONG Viver


