O semblante preocupado da aposentada Luzia Dias, 62 anos, denunciava que a notícia que ela acabara de receber da oftalmologista não era das mais agradáveis. Em um exame rápido, constatou-se que a sua pressão intra-ocular era de 30 mm/Hg, valor acima do recomendado pelos médicos, que é de 8 a 21 mm/Hg. A aposentada pode estar doente de um mal ''silencioso'', que geralmente não apresenta sintomas, mas que causa danos irreversíveis à visão. Estamos falando do glaucoma, doença que atinge, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), 67 milhões de pessoas em todo o mundo.
De acordo com o diretor clínico do Hoftalon, Nobuaqui Hasegawa, o glaucoma é causado pelo aumento da pressão intra-ocular, o que ocasiona uma ''destruição'' dos nervos óticos, uma espécie de ''fiação'' que leva a imagem da retina para as células que a interpretam no cérebro. ''Os nossos olhos 'fabricam' um líquido chamado humor aquoso. A produção e a drenagem desse líquido devem se equilibrar. Quando isso não acontece, a pressão intra-ocular se eleva e os nervos óticos vão sendo destruídos'', explicou.
O grande problema é que os danos causados pelo glaucoma são irreversíveis, não há como recuperar a visão perdida. Porém, quando a doença é diagnosticada há tratamento para impedir que ela avance. ''Podemos utilizar colírios ou até optar pela cirurgia'', disse o chefe do setor de glaucoma do Hoftalon, Rui Barroso Schimiti.
No entanto, a falta de informações do brasileiro sobre a doença impede que as pessoas procurem o auxílio médico para diagnosticá-la. É o caso de Luzia, que já não fazia um exame de vista há mais de 10 anos e ontem, gratuitamente, em uma ação realizada pelo Hoftalon no Super Muffato da Avenida Saul Elkind (Zona Norte), teve acesso ao exame e foi encaminhada para o posto de saúde com um pedido de consulta urgente com oftalmologista. ''Fiquei preocupada. Vou procurar ajuda o mais rápido possível'', comentou a aposentada.
O maior objetivo do evento, que atraiu dezenas de pessoas, era proporcionar esclarecimentos e informações às pessoas e também comemorar os 15 anos do Hoftalon. ''O glaucoma é a maior causa de cegueira irreversível que existe, por isso queremos que todas saibam como é possível fazer a prevenção'', relatou a assistente social do Hoftalon Marisa Goettel.
Em agosto, a instituição realizou uma atividade semelhante no Calçadão, onde foi aferida a pressão intra-ocular de 486 pessoas e 13% apresentaram níveis acima do desejado.
As pessoas mais propensas a desenvolver o problema são aquelas que têm mais de 35 anos, são negras, portadores de diabetes ou têm familiares que já apresentaram glaucoma.

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