Diagnóstico de tuberculose é cada vez mais precário
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Grande parte dos médicos brasileiros não sabe diagnosticar a tuberculose e deixa de pedir exames simples que poderiam acusar a doença. Esse é um dos principais motivos pelos quais a doença continua se disseminando no País e provocando mortes, apesar da existência de tratamentos fáceis e baratos. Em Londrina, o percentual de óbitos decorrentes de tuberculose registrado entre julho de 2002 e junho de 2003 chegou a 7.2%, entre os 114 casos notificados.
A doença é tema de uma jornada que termina hoje, na Associação Médica de Londrina (AML), reunindo docentes da área e profissionais de saúde. Um deles é o médico e professor Olavo Franco Ferreira Filho, do Departamento de Pneumologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele é categórico em afirmar que o diagnóstico de tuberculose tem sido cada vez mais raro. ''Os pacientes só desconfiam de tuberculose quando expelem sangue na tosse, e os próprios médicos não estão pedindo os exames necessários'', alerta.
O resultado da ignorância é que as vítimas descobrem a doença tardiamente, quando o organismo já está comprometido e sujeito à complicações. Além disso, o atraso no tratamento provoca uma reação em cadeia, já que o doente vai transmitindo a bactéria para as pessoas que convivem com ele.
A tuberculose é provocada pelo bacilo de Koch e pode ser transmitida pelo ar, quando o doente tosse, espirra ou simplesmente conversa. Por isso os médicos recomendam sempre manter os locais arejados. Ferreira lembra, contudo, que só desenvolve a doença quem está imunologicamente debilitado, como pessoas desnutridas ou portadores de HIV, o vírus da Aids. Os principais sintomas são tosse crônica (com duração superior a dois meses), febre ao final da tarde, dores no peito e emagrecimento.
''O diagnóstico é muito simples e pode ser feito gratuitamente em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS)'', afirma a enfermeira Arlette Alves Fragoso, do Centro Integrado de Doenças Infecto-contagiosas de Londrina, órgão da secretaria municipal de Saúde. Uma vez descoberta a doença, o tratamento também é fácil e barato - ao contrário do que muitos pensam, tuberculose tem cura.
''O custo do tratamento varia entre R$ 50,00 e R$ 80,00, e dura no mínimo seis meses, ou um ano no caso de portadores de HIV. O problema é que se o paciente interrompe o tratamento, ele fica propenso a desenvolver a tuberculose multi-resistente. Para essa, o custo do tratamento sobe para R$ 7 mil'', explica Ferreira. Ambos os tratamentos também são oferecidos gratuitamente na rede pública de Saúde.
Entre 2002 e 2003, o índice de abandono de tratamento foi de 8.7%, percentual considerado preocupante pela Saúde. ''A pessoa toma o medicamento, sente uma melhora em pouco tempo e acha que pode parar. É um erro'', diz Arlette. Ela afirma que o município pretende combater o problema por meio do Programa Saúde da Família (PSF). ''É a proposta da 'dose supervisionada'. A medicação é tomada na frente do agente de saúde, para que ele se certifique de que o tratamento está sendo seguido'', completa.


