Se o tratamento de dengue em adultos é complicado, nas crianças a atenção deve ser ainda maior. O plano de hidratação e a conduta clínica precisam ser adequadas. Um adulto com a doença consegue referir bem os sintomas, afirma especialista, mas as crianças não, principalmente aquelas com menos de 2 anos. Em Londrina, dos 1.648 casos confirmados, 269 são em menores de 12 anos.
''Por isso o diagnótico exige que o pediatra tenha um acompanhamento maior e siga um protocolo. Com essa epidemia, não dá tempo para haver dúvidas. Todo mundo precisa falar a mesma língua para oferecer o melhor atendimento'', afirma a médica Jaqueline Dario Capobiango, que atua na área de infectologia do Hospital Universitário (HU) de Londrina.
A instituição ofereceu anteontem à noite um treinamento para médicos pediatras, plantonistas e alunos de Medicina. De acordo Jaqueline, as dúvidas mais comuns levantadas estão relacionadas às questões práticas, como o plano de hidratação.
A capacitação se baseou no novo manual lançado este ano pelo Ministério da Saúde, que traz, entre outras atualizações, a maneira de conduzir os pacientes que apresentem quadros leves e graves, como a febre hemorrágica da dengue.
''A dengue é uma doença em que o médico deve rever a criança quase diariamente, para observar hidratação e evolução. Pois em um primeiro momento, existe uma grande possibilidade diagnóstica, já que os sinais apresentados pelos pequenas são sintomas inespecíficos'', explica a pediatra.
Como é o caso de Victor Hugo, de 2 meses. A mãe Tatiane Silva, 24, percebeu que o filho chorava muito e apresentava febre de 39 graus. ''Fui várias vezes ao médico e agora estamos esperando os resultados. O médico não descartou a possibilidade de ser dengue, mas estou rezando para não ser'', conta ela, que há menos de um mês, passou a mesma situação com a filha Kemily, 5 anos. ''Sentia muita dor de cabeça e na barriga. É muito ruim'', lembra a pequena.
A família mora no Jardim Monte Cristo (Zona Leste), onde a maioria dos moradores já contraiu a doença. ''Hoje, não existe uma região na cidade que requer mais cuidado. Todas as regiões apresentam altos índices de infestação'', diz a gerente de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Sandra Caldeira.
Mortes
O último levantamento da secretaria revela que das 6.630 notificações, 1.648 casos foram confirmados, 587 foram descartados e 4.395 ainda estão em fase exames e aguardam resultados. O município já registrou dois óbitos e um terceiro ainda aguarda confirmação.
De acordo com a pediatra Simone Garani Narciso, da Vigilância Epidemiologica da Secretaria Municipal de Saúde, de todas os casos confirmados, 269 são de crianças abaixo de 12 anos.

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