Um grupo de pacientes diabéticos atendidos pelo Hospital das Clínicas (HC) de Londrina está se organizando para conseguir receber do Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos e materiais necessários para o controle da doença. São 180 diabéticos que precisam de alguns tipos especiais de insulina, fitas reagentes para o controle da taxa de glicose e seringas. Eles dizem que gastam cerca de R$ 300,00 por mês só com a doença e muitos estão sem dinheiro para bancar as despesas. A falta do remédio ou o controle mal feito pode causar problemas renais, cegueira, coma e até a morte.
Os pacientes têm diabete do tipo 1 e, além da insulina normal, chamada NPH, precisam de outros dois tipos de insulina, a regular e a humalog. Essas outras duas insulinas têm ação mais rápida: enquanto a NPH demora 12 horas para atingir o pico de ação, a regular faz isso após uma hora da aplicação e a humalog tem efeito ainda mais rápido, 15 minutos depois da injeção.
O problema é que o SUS fornece apenas a NPH. A insulina regular custa R$ 35,00 o frasco e dura menos de um mês. A do tipo humalog custa ainda mais caro, R$ 53,00 cada frasco. Se o diabético estiver com a taxa de glicemia muito alta, precisa usar estes tipos de insulina, que têm ação mais rápida, em vez da insulina comum.
O SUS costumava fornecer a insulina regular, mas há quatro anos o fornecimento foi suspenso. O único paciente do grupo que consegue esse tipo de insulina através do SUS é Ricardo da Silva: ''Eu conversei com o Ministro da Saúde, com deputados, promotores e até com o secretário estadual da saúde, mas eu fiz o pedido em nome de todos nós'', observou. ''E alguém autorizou o fornecimento da insulina, mas apenas para mim'', lamentou Ricardo. Desde março ele recebe a insulina através da 17 Regional de Saúde.
Somando as insulinas especiais, seringas, fitas reagentes e alimentação diet, cada diabético gasta mais de R$ 300,00 por mês. ''Temos muitos pacientes aqui no grupo que ganham menos de dois salários mínimos por mês. Como é que a pessoa vai sobreviver desse jeito?'', questionou Gisele Toreto, estagiária de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que acompanha os doentes.
O grupo de diabéticos do HC, coordenado pela médica endocrinologista Henriqueta de Almeida, já enviou para a Regional de Saúde uma lista com o nome dos pacientes e uma justificativa para o pedido das insulinas especiais, seringas e fitas reagentes. O pedido foi enviado no dia 13 de maio e até agora eles não tiveram nenhuma resposta. ''De lá prá cá dois pacientes do grupo adoeceram; um sofreu cirurgia nos olhos e está perdendo a vista e a outra está na hemodiálise com problemas nos rins'', denunciou Ricardo.

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