A Associação dos Diabéticos de Maringá (Adim) protocolou ontem no Ministério Público ação pedindo providências contra a falta de insulina na rede pública de saúde da cidade. O vice-presidente da entidade, Francisco Ribas, revelou que a distribuição do medicamento foi suspensa pela quarta vez somente este ano. ‘‘Não podemos aceitar a situação, que indica descaso das autoridades de saúde’’, reclama. Os diabéticos pretendem pressionar também o secretário de Saúde do Paraná, Armando Rágio, que estará em Maringá na próxima semana.
Segundo Ribas, o governo federal está repassando os valores para a compra dos medicamentos de uso contínuo. O problema é que o Estado não faz a aquisição e deixa de distribuir. ‘‘Protocolamos vários pedidos de providências junto a órgãos do Estado, mas nada aconteceu’’, justifica. ‘‘Os diabéticos não entendem como um setor que cuida apenas da distribuição de remédios de uso contínuo não consegue fazer o serviço. O governo tem o cadastro de todos os diabéticos e sabe a demanda, mas não tem competência para administrar’’, critica.
As constantes faltas de insulina estão prejudicando em torno de 3 mil diabéticos de Maringá, que não têm condições de comprar o medicamento. ‘‘Sem a insulina o diabético começa a apresentar outros problemas de saúde, o que vai até custar mais caro ao Estado’’, compara Ribas.
Se não receber tratamento adequado, o diabético pode ter complicações como cegueira, problemas cardiovasculares (infarto do miocárdio e derrame cerebral), insuficiência renal, neuropatia, impotência, úlcera nas pernas e até amputação dos membros inferiores.
O secretário de Saúde de Maringá, Sandro Scolari, explicou que a falta de insulina se deve a problemas no processo de licitação do medicamento. No final da tarde de ontem, o secretário anunciou que a secretaria havia recebido mil frascos de insulina, que dão para suprir o fornecimento por três semanas. Ele disse também que a partir de segunda-feira, o medicamento será distribuído em todos os postos de saúde da cidade.
De acordo com Lore Lamb, diretora do Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), responsável pela distribuição no Estado de medicamentos enviados pelo governo federal, há 10 dias foi enviado por Sedex à regional de Saúde de Maringá um lote emergencial de 500 frascos de insulina, que deve ter se esgotado rapidamente devido a demanda reprimida.
Segundo ela, houve problemas de distribuição na região do último lote enviado por Curitiba no início de junho. A carga destinada ao bimestre agosto/setembro, com 2,5 mil frascos, saiu da capital na quarta-feira em um caminhão da Cemepar. ‘‘Talvez a regional não tenha tido tempo hábil para fazer a distribuição para as secretarias municipais’’, ponderou.
Lore afirmou que o desabastecimento em Maringá é um caso isolado, já que não vem ocorrendo atrasos desde que foi implantado o sistema de distribuição há dois anos. Hoje, assegura a diretora, nenhuma das regionais sofre com a falta de medicamentos de uso contínuo. ‘‘O repasse pelo governo federal sempre esteve em dia’’, garante Lore. (Colaborou Lúcio Flávio Moura, de Londrina).

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