Diabetes na infância
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sexta-feira, 24 de junho de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Há três anos, a dona de casa Michele Porto de Oliveira, 32 anos, descobriu que o filho Paulo Sérgio, sete anos, tem diabetes tipo 1, que consiste na falta da produção de insulina pelo pâncreas.
''Ele começou a emagrecer sem justificativa e de uma hora para outra começou a ter muita sede e fazer muito xixi. Imaginei que poderia ser diabetes, mas a gente nunca está preparada o suficiente para receber essa notícia'', conta Michele, ao lembrar que o médico a alertou para uma grande mudança na rotina da família. ''Ele disse que meu filho é um insulinodependente e que precisará tomar insulina todos os dias, durante toda a vida'', relembra.
O impacto da notícia foi muito forte nos primeiros dias. ''Eu chorava pelo sofrimento dele e ele por não poder comer certas coisas. Eu me sentia mal, mas sabia que tinha que enfrentar. Eu e meu marido sentamos com ele e explicamos como seria nossa rotina dali pra frente. Agora que ele está mais grandinho podemos falar em detalhes, pois antes achávamos desnecessário por causa da idade'', diz.
Hoje, Paulinho convive muito bem com o diabetes. Ele aprendeu a medir a glicemia na escola e a avisar a mãe pelo celular quando preciso. ''Conversei com a professora, os amigos de classe e até as tias da cantina sobre o Paulinho. É importante que todo mundo que seja próximo ao Paulinho saiba dos cuidados'', conta ela, que chega a aplicar insulina no filho até cinco vezes ao dia.
Expressar sentimentos
Para a psicóloga e professora da PUC-PR, Patrícia Guillon, que atua na Associação Paranaense do Diabético (Apad) em Curitiba, a melhor forma para falar com a criança sobre o diabetes é ser claro e honesto, sem apavorá-la ou tentar convencê-la a cumprir as exigências do tratamento.
''Nessas horas, é importante lembrar que a criança tem capacidade de compreensão e percepção, por isso ela sabe que está acontecendo algo diferente com ela. Para que não se construam fantasias equivocadas a respeito, os pais devem passar um bom tempo explicando a doença e utilizando a linguagem própria da idade'', orienta.
De acordo com a psicóloga, se essas informações não forem bem compreendidas pela criança, ele ficará ansiosa na tentativa de buscar explicações com suas próprias percepções. Além disso, é importante dar oportunidade para ela falar e expressar os sentimentos e dúvidas.
Outro ponto essencial, apontado por Patrícia, é o cuidado com as palavras para que o diálogo não assuste a criança. ''Fale das mudanças, da importância delas serem efetuadas, mas sem usar ameaças, pois dependendo da forma que você coloque essa questão, pode gerar mais ansiedade e uma resistência desnecessária ao tratamento. É preciso dar tempo para a adaptação'', afirma.


