Diabetes lidera causas de amputação
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quinta-feira, 26 de março de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Londrina Hoje dona de casa e mãe de duas crianças, Érica de Paula, de 25 anos, ainda era adolescente quando teve de aprender a lidar com a dor de perder uma parte do próprio corpo. Aos 15 anos, ela sofreu uma trombose em decorrência de diabetes sem tratamento. Passou mal, entrou em coma e acordou num quarto de hospital, já sem a perna esquerda. Érica se revoltou, mas, aos poucos, percebeu que sua vida ia além daquela cirurgia. Precisou reaprender a andar. Primeiro de muletas, depois com uma prótese. "Hoje, faço tudo sozinha, consegui me adaptar bem", conta.
E o caso da jovem de Londrina não é isolado. Dados da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) apontam que de 1.023 pacientes de todo o País atendidos pela entidade no ano passado, 52% foram submetidos a amputações por complicações da diabetes. O restante desta estatística está dividido entre causas traumáticas, com acidentes de trânsito e de trabalho (21%), vasculares (20%), infecciosas (5%), tumorais (2%) e congênitas (1%).
No município de Londrina, os números não são muito diferentes. Em 2014, o Hospital Universitário (HU) registrou 97 procedimentos de amputação. Deste total, 86%, o equivalente a 84 situações, tinham causas clínicas, a maioria ligada à diabetes. Acidentes de trânsito correspondem a 7,21% dos casos, enquanto os acidentes de trabalho, a 6,18%.
O ortopedista Marco Antônio Batista, do setor de Ortopedia e Traumatologia do HU, explica que o desenvolvimento de "pé diabético" costuma acometer pacientes que não conseguem controlar a doença. Com índices de glicemia alterados, o paciente pode desenvolver problemas de circulação, que levam a uma dificuldade de cicatrização de feridas e outros machucados nos pés, além da perda de sensibilidade no membro inferior. "A classe mais baixa economicamente apresenta menos condições de se tratar, controlar esta doença. Por isso, a amputação por diabetes também acaba sendo um problema social no Brasil", analisa o médico.
Segundo Batista, estatísticas norte-americanas sinalizam que ao menos 15% dos diabéticos tendem a sofrer com úlceras na planta dos pés. E o prognóstico não é dos melhores: depois que desenvolvem o problema, 85% passam por amputações. Três anos após a primeira amputação, 30% dos pacientes acabam perdendo a segunda perna. "É comum ainda que dois terços morram em cinco anos depois da primeira amputação", assinala.
PREVENÇÃO
Para a presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Maria Cândida Ribeiro Parisi, amputações em diabéticos têm grande relação com o tempo da doença. "Quanto mais tempo de diabetes, maior a chance de desenvolver uma neuropatia ou doença vascular", diz ela, ao enfatizar que o público atingido tende a ser composto por pessoas com mais idade.
Assim, ensina, o melhor caminho para garantir a qualidade de vida dos portadores da doença é a prevenção. Uma vez tendo o diagnóstico, o ideal é que o paciente receba orientações de cuidados, desde o autoexame dos pés a adoção de práticas como o uso de calçados com solado mais rígido. "Na maior parte dos casos, as pessoas acabam tendo pé insensível. Se tiverem uma pedra no sapato, são capazes de andar o dia todo com isso no pé. Caso tenham machucado, demoram para tratar porque vão demorar para perceber que estão feridas", observa Maria Cândida.
A recomendação da médica é examinar os pés todos os dias e mantê-los sempre secos e hidratados. Também é importante tomar cuidado ao cortar as unhas, que devem ser mantidas sempre retas. Ao escolher os sapatos, o paciente deve optar por calçados com largura e altura de acordo com os seus pés. "Não adianta comprar sapato para lacear", alerta Maria Cândida. Além disso, o paciente, em hipótese alguma, deve caminhar descalço, sobretudo na areia. "Cerca de 85% das amputações podem ser evitadas só com prevenção", atesta


