Curitiba - A campanha do Dia Sem Carro realizada ontem em Curitiba resultou na diminuição de cerca de 50% de óxido de nitrogênio no ar, principal indicador da poluição causada por automóveis. Este foi o resultado da medição feita pelo Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec). A análise foi às 8 horas, horário de pico, e comparada com a medição da última quinta-feira, feita no mesmo horário. O ruído no Centro da cidade também diminuiu em três decibéis. Aparentemente o trânsito não sofreu alteração, já que os congestionamentos pareciam os mesmos. A principal intenção da prefeitura foi conscientizar os motoristas da importância do transporte alternativo.
Apenas três quadras de uma rua foram fechadas em Curitiba, única cidade do Paraná que aderiu à campanha nacional. No local a prefeitura colocou uma barraca com serviços à população, jogos recreativos e educativos. A secretaria do Meio Ambiente distribuiu 15 mil mudas de flores e árvores. Segundo a Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), que gerencia o transporte coletivo da Capital, os automóveis são responsáveis por 60% da poluição no ar e são a maior causa de morte entre pessoas até 30 anos. A idéia do Dia Sem Carro nasceu na França em 1997.
A prefeitura de Curitba optou por não fechar mais ruas porque, segundo o prefeito Beto Richa (PSDB), a idéia não era tirar a liberdade do motorista, mas sim criar uma consciência crítica. E fechar mais ruas poderia de fato complicar a vida de muitos motoristas que alegam não ter com deixar o carro em casa. ''Eu tinha que fazer muitas compras miúdas. Daí não tem como deixar de vir de carro'', explicou o comerciante Lourival Cardoso de Araújo. Apesar de não poder abrir mão do carro ontem, Araújo reconhece que dependendo do horário é melhor deixar o carro em casa por causa do trânsito pesado.
Pela manhã o militar João Carlos Rodrigues aderiu ao movimento. ''Juntamos quatro pessoas e fomos para a faculdade num carro só'', contou. Já pela tarde não teve como. ''Eu tinha que trazer minha mulher para o Centro e ela não dirige e não anda de ônibus.'' E, no geral, o trânsito da região central estava igual a todos os dias. Rodrigues inclusive estava se batendo para encontrar uma vaga para estacionar.

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