Cambé- ''Diretora, uma pintura não resolve o problema?'' ''Se tivesse parede e teto até resolveria.'' O diálogo entre a aluna Emily Giovana Sambrano, de 7 anos, e a diretora Solange Pagnan Bernardi ilustrou o dia seguinte à tragédia que assolou a Escola Municipal Padre Symphoriano Kopf, do Jardim Santo Amaro, em Cambé (Norte). Na noite de anteontem, três salas de aula do colégio foram incendiadas por dois homens desconhecidos e os alunos ficaram um dia sem aula.
Improvisados nas mesas da biblioteca e nas duas salas de catequese da igreja católica do bairro, os 180 estudantes que ficaram sem classe retomaram as atividades na manhã de ontem. Em esquema de mutirão, funcionários limpavam os destroços do incêndio, enquanto a turma de balé ensaiava no pátio coberto, recém construído pela prefeitura. O cheiro de fumaça ainda estava impregnado no ar.
Para a estudante Ariane Lopes de Souza, de 8 anos, dividir as mesas do laboratório com os colegas não irá prejudicar os estudos. ''Dá para levar, mas a nossa sala era melhor, tinha mais espaço.'' Ela ficou sabendo do incêndio pela televisão e achou tudo ''uma tragédia''. ''Quem fez isso, por favor, não faça mais porque está tirando o aprendizado dos alunos'', pediu a estudante.
As obras de reforma das salas devem ter início nos próximos 20 dias, informou a diretora, que calcula um prejuízo de R$ 250 mil. Segundo ela, os recursos deverão vir do Governo do Estado, já que a escola cede o espaço para alunos de quinta a oitava séries do ensino fundamental no período noturno.
''A reforma deve durar pelo menos três meses, por isso os alunos terminarão o ano letivo nas salas improvisadas'', disse Solange, que reforçou a segurança do colégio: agora três vigias irão trabalhar juntos para cuidar da escola à noite. ''Pedimos o reforço de um policial militar armado e temos também o segurança da tarde, que irá dobrar de horário, além do rapaz que faz a vigilância da rua'', completou a diretora.
Segundo ela, por pouco os rapazes não incendiaram outras duas salas. ''Eles tinham preparado tudo para colocar fogo em duas salas do pavilhão de baixo, mas como a polícia chegou eles fugiram'', contou Solange, explicando que foram encontrados canudos de papel enrolados nas cortinas das salas. ''Foi assim que eles iniciaram o incêndio, colocando fogo na cortina.''
Apesar da bagunça, o clima era de tranquilidade nas classes. Até o projeto de dança, que funciona no contraturno escolar e engloba 120 crianças, foi retomado, sem prejuízos para as pequenas bailarinas. ''Pensei que perderíamos o projeto por falta de espaço, mas conseguimos manter as aulas'', comemorou a diretora, que esperou pela ampliação da escola, entregue em março deste ano, por 25 anos.
Ainda conforme a diretora, além da estrutura física, os alunos perderam cadernos, provas e pastas de atividades. ''Não dá para reaproveitar nada, decidimos recomeçar do zero. Mas todo mundo está colaborando, desde os professores até os pais.'' A Polícia Civil continua investigando o caso, mas ainda não apresentou nenhum suspeito de ter cometido o incêndio.

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