Dia para comemorar e refletir
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local
As ruas do centro de Londrina se encheram de cor e música na manhã de ontem. Para marcar o Dia da Consciência Negra e como forma de mostrar a cultura do povo negro, foi realizado o Cortejo Cultural Afro-Brasileiro, dentro da programação do 5º Simpósio de História e Cultura Afro-Brasileira.
Depois da concentração na Concha Acústica, os participantes saíram em caminhada, acompanhados de um caminhão de som. Diversas paradas para apresentações culturais foram feitas pelo caminho, como forma de homenagear as personalidades negras e também para provocar a reflexão sobre os desafios da luta contra o racismo.
Um desses momentos contou com a participação do cantor e compositor Joaquim Braga, que chegou à cidade em 1973 e tem testemunhado a evolução do movimento negro em Londrina. ''O movimento tem vindo num crescente. É um processo longo, mas importante, para a comunidade compreender a diversidade, o preconceito e o racismo. O feriado hoje incomoda, rola uma pressão por conta de sermos uma sociedade capitalista, mas é necessário resistir'', filosofa.
O presidente do comitê gestor do Fórum das entidades negras de Londrina (Fenel), Edmundo Silva Novais, explica que a ideia de realizar o cortejo afro foi sugerida por Vilma dos Santos, a Mãe Mukumbi. ''Muitos ainda não sabem da cultura negra em Londrina. Precisamos quebrar mitos e o preconceito, que as pessoas pensam que não existe mais. Em outras cidades todos vãos para as ruas, queremos que em Londrina isso também aconteça. Que todos venham para a rua mostrar seu carinho pela comunidade negra'', conta.
Diversas escolas, entidades e ongs participaram do cortejo, além de membros da comunidade afro. Márcio Triachini, professor de capoeira do Grupo Quilombo, que juntamente com o Grupo Negreiros fez uma apresentação na abertura do evento, diz que não poderia ficar ausente de uma festa como essa. ''É um dia histórico, em que comemoramos o dia de Zumbi dos Palmares, o maior lutador que já existiu. A capoeira é uma luta de resistência e esteve sempre presente nessa cultura de libertação.''
Outra apresentação que emocionou os participantes foi de alunos do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), que representaram o Maculelê, uma dança que simula luta com bastões de madeira. O professor Luciano Ribeiro Cil conta que a escola desenvolve trabalhos sobre todas as culturas, por isso os alunos se empenharam para a apresentação.
Estudantes da Escola Estadual 11 de Outubro, de Cambé (região metropolitana de Londrina), vieram com roupas da cultura africana. Beatriz Santos de Souza, de 14 anos, explicou que a professora convidou a turma para vir a Londrina participar do cortejo e sugeriu o uso das roupas, que foi prontamente aceito. ''É um dia importante para todos os negros. Em Cambé também fizemos uma missa afro na Paróquia Nossa Senhora dos Migrantes.''
A professora Vanilda Rodrigues Pereira, que acompanhava os alunos de Cambé explica que a escola sempre desenvolve trabalhos procurando despertar a consciência da diversidade, não só em datas comemorativas. ''É através da educação que vamos despertar o respeito às diferenças'', justifica.
Entre os participantes, crianças, jovens, adultos e idosos não se incomodaram com o sol forte. O professor de Educação Física Wilson Costa Negrão de Oliveira fez questão que o filho José Pedro, de 3 anos, participasse do evento, mesmo que tivesse que ser carregado durante boa parte do percurso.
''Acho importante prestigiar o evento, somos descendentes de negros e eles dão grande contribuição à sociedade. É importante ele já ir vivenciando, conhecer as músicas e a cultura negra, porque tudo no nosso dia a dia está ligado aos negros, que estão conquistando seu espaço'', afirma.
O aposentado José Enéias, de Bandeirantes (Norte Pioneiro), aproveitou a visita à irmã em Londrina para também participar do cortejo e se mostrou satisfeito com o que viu. ''É um evento maravilhoso. Precisamos resgatar essa história, mostrar ao povo que ela não está esquecida e também valorizar a nossa cultura.''