Dia Mundial Sem Carro estimula reflexão
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sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Você é capaz de imaginar a Avenida Tiradentes sem nenhum automóvel num sábado? A Avenida Maringá sem os habituais ruídos do trânsito? São cenários assim - quase surreais para quem frequenta essas vias - que os participantes do ''Dia Mundial Sem Carro'' propõem para hoje. O movimento, nascido há nove anos na França e estendido para o Brasil em 2001, é realizado anualmente no dia 22 de setembro.
Em Londrina não há nenhuma programação oficial mas algumas iniciativas individuais devem ser postas em prática. ''Eu pretendo aderir. Como moro perto do shopping, posso levar as crianças para passear a pé hoje'', cogita a advogada Cássia Lane Bilhão, 38 anos. No dia-a-dia, ela já é um exemplo de que o uso do carro pode ser reduzido.
Estimulada por um projeto desenvolvido no Instituto de Educação Infantil, onde tem dois filhos matriculados, Cássia faz um rodízio com outros pais para transportar as crianças. ''Os próprios alunos fizeram um mapa de Londrina e identificaram as crianças que moravam próximas. Desde o início do ano, estou saindo de casa 10 minutos mais cedo e apanhando mais duas para levar à escola. Na saída, outras duas mães se revezam para buscar os meus filhos e os delas'', explica.
Além da consciência ecológica, a advogada destaca a economia de combustível. ''Antes, um tanque de gasolina dava para 10 dias. Hoje, rende por 15 dias'', salienta. A comerciante Renata Vicari Garcia, 36 anos, outra mãe que participa do rodízio, acrescenta à lista de vantagens a economia de tempo. ''Quando não é seu dia (de pegar as crianças), você pode fazer outra coisa'', observa.
Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), que apoia a mobilização, o setor de transportes é a principal fonte de gás carbônico nas maiores cidades brasileiras. Além disso, a combustão de derivados de petróleo provoca sérios danos à saúde e é a maior responsável pelas emissões de gases de efeito estufa no mundo, contribuindo para o aquecimento global.
Para muitos motoristas, pensar num dia sem carro é quase impossível. Um deles é o vendedor Pedro Cláudio Scomparin Baldi, 28 anos, de Rolândia, que usa seu automóvel diariamente para ir ao emprego. Detalhe: ele mora a três quadras do local de trabalho.
''Vou e volto de carro, inclusive para o almoço. Não é questão de comodismo. É que hoje o mundo segue um ritmo instantâneo, nenhum minuto pode ser desperdiçado'', alega o vendedor, que também se diz um homem prevenido. ''Se eu sair de casa sem carro, posso não estar preparado para atender algum chamado urgente. Posso perder um negócio ou não chegar a tempo de socorrer alguém que tenha um problema de saúde.''
Pedro Cláudio afirma que não deixa de se preocupar com o meio ambiente, mas acredita que ''rodar o carro por três quadras não faz muita diferença''. E ressalta: o veículo é movido a álcool.


