Dia foi de lucro para cuidadores de carro
Érika Pelegrino
De Londrina
Eles fazem parte da chamada economia informal, praticamente institucionalizada no Brasil. Alguns são catadores de papel, muitos vivem de bicos, outros são vendedores ambulantes. Independente da profissão eles sempre são vistos nas proximidades de lugares onde, por um motivo ou por outro, há uma grande concentração de veículos.
Se em shows, espetáculos ou qualquer tipo de evento, os motoristas são praticamente atacados pelos guardadores de carros, ontem, Dia de Finados, eles não poderiam estar em outro local, a não ser as portas dos cemitérios.
Na entrade de alguns cemitérios de Londrina eles chegavam a dezenas. Os guardadores de carro trabalham por conta própria e obedecem a leis que eles mesmos determinam e que são baseadas em territórios. Ontem, por exemplo, em frente ao cemitério Padre Anchieta, no Jardim Ideal (zona leste), 20 guardadores de carros trabalhavam em grupos divididos a cada 100 metros. Desta árvore para lá é território nosso, afirma o catador de papel Amarildo Antônio Lauriano, 29 anos.
Ele trabalhava com mais dois companheiros para no final da tarde dividir o dinheiro. Para conseguir demarcar o seu território, Amarildo Lauriano conta que montaram uma barraca no terreno em frente ao cemitério e pernoitaram no local.
Mesmo assim, qualquer descuido podia significar perda de território. Estamos trabalhando desde às 7 horas (era pouco mais de 15 horas quando a Folha o entrevistou) sem café da manhã e sem almoço, conta. Se sairmos daqui a gente perde o ponto, justifica. Mas o dia parecia estar rendendo. Amarildo Lauriano já tinha faturado R$ 50,00.
Em dias normais os guardadores de carros esperam o motorista estacionar e depois perguntam se podem cuidar do veículo. Na volta, a pessoa dá uns trocados. Em dias especiais, quando a disputa por uma vaga é acirrada, eles literalmente cercam os motoristas nas ruas e alguns costumam até mesmo a determinar valores.
Ontem, em frente ao cemitério João XXIII, Jardim Ipanema (centro), tinha guardador de carro cobrando até R$ 2,00. Amarildo Lauriano afirma que estava cobrando R$ 1,00. Mas as pessoas não dão. Teve vereador que deu R$ 0,20, mas teve uma pessoa que deu R$ 1,10. Só que isto é muito difícil acontecer, garante.
Izair Campos, que acabava de estacionar seu carro, diz que já tinha visitado dois cemitérios, ontem, e em cada um tinha pago R$ 1,00 para os guardadores de carro. A gente também não tem como ajudar muito, afirma.
Para ganhar o cliente eles orientam a parar o veículo em qualquer lugar: esquinas e até mesmo em calçadas.
Ao seguir a orientação dos guardadores, o motorista ficava sujeito a ser multado por policiais da Companhia de Trânsito. O sargento Paulo Roberto da Costa explica que ontem, por ser um dia especial, os policiais não estavam atuando com todo rigor. Segundo ele, só estavam sendo multados os casos extremos que chegavam a atrapalhar o tráfego.
O sargento salientou que ontem o trabalho dos 44 policiais 22 por turno estava centrado em orientar o tráfego de veículos nas proximidades dos cemitérios para evitar confusão.Dezenas de guardadores disputavam as ruas próximas aos cemitérios. Alguns ganharam R$ 50,00 só pela manhã
Dorico da SilvaDorico da SilvaDorico da SilvaNEGÓCIOEnquanto os guardadores de carro (abaixo, à direita) tiveram, ontem, um dia de de grande movimento, muitos ambulantes (ao lado) tiveram prejuízo com as vendas fracas. No Cemitério do Jardim Ideal, homem reza e acende velas (abaixo, à esquerda).





