O movimento no comércio do centro de Londrina era intenso na manhã de ontem e a expectativa dos lojistas era de que aumentasse ainda mais no período da tarde, tendo em vista o conhecido hábito do brasileiro de, em datas especiais, adiar as compras para a última hora. A idéia dos consumidores era não deixar o Dia dos Pais passar em branco, nem que para isso fosse necessário apelar para as famosas ''lembrancinhas''.
''Como no último Natal, essa época é de muita visitação e presentes baratos'', disse o gerente de uma loja de departamentos, Aparecido Moreira. Segundo ele, kits com cuecas e meias, camisas e calças jeans foram os campeões na preferência dos consumidores, que desembolsaram, em média, de R$ 2,90 a R$ 35,00. Na ala de eletrodomésticos, que concentram as opções mais caras, o movimento era pequeno. ''Grandes presentes, como televisores 29 polegadas e DVDs, estão sendo raros'', observou.
A dona de casa Marcélia da Silva, 37 anos, bem que gostaria de dar um presente mais ''consistente'', mas teve que se limitar ao trivial. Com R$ 68,00, comprou calça e cuecas para o marido e camisa para o sogro. O valor seria parcelado em duas vezes no crediário. ''Queria gastar mais, mas o dinheiro está curto'', lamentou. Já as professoras Mara Regina Clivati Capelo, 48 anos, e Ana Regina Capelo, 25, mãe e filha, ainda não haviam decidido o que comprar, mas não pretendiam gastar mais do que R$ 50,00 e planejavam pagar à vista. ''A propaganda é que crediário não tem juros, mas sempre acabamos pagando alguma coisa a mais'', desconfiava Mara.
Em outra loja de departamentos, a disposição para disputar um lugar próximo das araras só não tinha que ser maior do que a necessária para enfrentar as filas quilométricas rumo aos caixas. De acordo com o gerente Antônio Sampaio de Andrade, as vendas da semana foram 18% maiores do que no mesmo período do ano passado. Na opinião dele, isso se deve à injeção de ânimo no mercado por conta da restituição do imposto de renda e da liberação do FGTS dos planos Collor e Verão. Para atender a demanda, a loja contratou 15 funcionários temporários. O carro-chefe das vendas, segundo Andrade, foi a camisa-pólo, de R$ 14,90.
A estudante Karina Gouveia, 21 anos, preferiu meias, lenços, cuecas e cintos, ''essas coisas que pai sempre esquece de comprar''. Ela ainda não tinha feito as contas, mas acreditava que iria desembolsar R$ 35,00, pagos com parte de seu salário de estagiária. A professora Lourdes Rossi, 34 anos, também levou em conta o fator utilidade na hora de escolher o presente para o marido. Comprou um celular, que ele ainda não tinha, por R$ 450,00 parcelados em seis vezes. ''Não pesquisei antes, quis aproveitar a promoção'', justificou. Segundo o gerente da loja, Rogério Taki, a procura pelas ofertas criadas especialmente para a data foi grande durante toda a semana, mas as vendas ficaram 30% abaixo do esperado.
''Vendemos, diariamente, de 10 a 15 celulares menos do que na mesma época do ano passado. E a forma de pagamento também mudou. Antes era à vista ou com cheque; agora, 70% a 80% preferem parcelar no carnê, em até nove vezes sem juros, com pequeno acréscimo de tarifa bancária''.

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