Empinar uma pipa e vê-la ganhar o céu ao sabor do vento é uma das lembranças mais deliciosas que se guarda da infância. O Colégio Estadual Professora Rina Maria de Jesus Francovig (Zona Sul de Londrina) ajudou seus alunos de 1 a 8 série a formar essa lembrança, oferecendo uma atividade multidisciplinar que envolveu toda a escola.
Através de um concurso de pipas, os alunos celebraram o Dia do Folclore, comemorado ontem, adquiriram novos conhecimentos e, principalmente, se divertiram. ''Com este tipo de atividade, os alunos entendem melhor a ação da gravidade e a geometria, aprendem a não usar cerol e ainda aprendem a respeitar o trabalho do outro. Há um enriquecimento maior que em sala de aula'', explicou a pedagoga da escola, Neila Alves Teixeira.
Os alunos participaram de uma oficina de confecção dos papagaios, concorreram aos prêmios de pipa maior, menor e mais criativa, e lançaram suas criações ao ar. ''A sala de aula gera um certo cansaço nos alunos, mas quando você promove uma atividade ao ar livre, há uma interação maior entre eles, com os professores e funcionários. Isso é ótimo'', avaliou a professora de matemática Bernadete Urbanski, que aproveitou a oportunidade para empinar uma pipa também.
''É melhor do que ficar copiando matéria'', definiu Marcelo da Silva Junior, 13 anos, que concorreu ao prêmio de maior pipa, mas perdeu para uma de cerca de 2 metros de altura, feita por Maike Anjos de Oliveira, 15 anos, e mais dois amigos. ''Ficamos das oito horas da noite até a uma da manhã fazendo essa pipa'', revelou Maike, em uma demonstração de como os jovens são capazes de se dedicar a algo por que se interessam.
A atividade também contribuiu para conscientizar os estudantes sobre os riscos do uso do cerol (cola com vidro moído) nas linhas. Vários alunos confessaram que já utilizaram a mistura, mas garantiram que aprenderam a lição. ''É perigoso. Se passa um motoqueiro, a linha pode cortá-lo. Também a gente fica chateado se alguém 'taiar' a nossa pipa. Eu já não usava muito cerol, agora é que não vou usar mesmo'', afirmou Cristiane Larissa Alexandre, 13 anos, que diz soltar pipa ''que nem moleque'' com suas amigas.
Pelo jeito, o uso do cerol é comum no bairro onde fica a escola, no Jardim Campos Elíseos. Quando os alunos começaram a empinar suas pipas, logo várias crianças de fora da escola também puseram no ar as suas, com o claro intuito de talhar as concorrentes. Foi só os estudantes descerem as suas que a movimentação no bairro também cessou - o que mostra que essa conscientização era realmente necessária.
Nesse contexto, Wellington David Pereira Toneti, 11 anos, que levou o prêmio de menor pipa com um exemplar de cerca de 5 cm, é um exemplo a ser seguido. ''Eu nunca usei cerol. Quando chego em casa, meu pai sempre confere a linha. Meu colega já 'taiou' a minha pipa uma vez, deu raiva. Mas não é por isso que eu vou usar cerol também'', ensinou.

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