Dia do Desafio muda cotidiano
e movimenta cidades do Paraná
Mario CesarTrabalho extraFuncionários do Iapar participaram com entusiasmo da promoção: fizeram alongamento e ginástica aeróbica
para ajudar Londrina no Dia do Desafio. Eles também doaram latas de óleo para entidades assistenciaisEm Londrina, competição envolve mais de 100 instituições e coloca muita gente para fazer exercícios físicos
Lúcio Horta
O Dia do Desafio - ou International Challenge Day, como é conhecido no Exterior - mudou ontem o cotidiano em várias cidades do Paraná. Em Londrina, mais de 100 empresas, escolas e repartições públicas promoveram atividades para marcar a passagem do dia. Em muitos dos casos, o ‘‘desafio’’ foi arrecadar o maior número possível de alimentos para enviar entidades assistenciais ou para os flagelados da seca no Nordeste.
A promoção acontece em cidades de todo o mundo, que competem umas com as outras, com objetivo de divulgar a importância da atividade física para a saúde. Vence o desafio quem conseguir reunir o maior número de pessoas. Em Londrina, a contagem do número de participantes foi feita através de central telefônica localizada no Sesc/Aeroporto (zona leste). O grupo ou a pessoa que estivesse fazendo alguma atividade deveria ligar para o telefone 175 e comunicar o número de participantes e o que estava sendo desenvolvido. A cidade vencedora ganha um certificado da Unesco - órgão das Nações Unidas para educação, ciência e cultura. O resultado deve sair hoje.
Neste ano, o adversário de Londrina foi Campinas, no interior de São Paulo. Ano passado, quando participou pela primeira vez, Londrina derrotou Limeira, outra cidade paulista, por uma diferença de apenas 1,12%. Nada menos que 93 mil londrinenses participaram do Challenge Day na ocasião, número que o Sesc - organizador do evento na Cidade - pretendia bater este ano.
Uma das entidades que participaram do desafio foi a Santa Casa. Cerca de 400 pessoas, entre médicos, enfermeiros, funcionários e até pacientes interromperam a rotina, de manhã, e promoveram um abraço simbólico ao prédio do hospital, no centro de Londrina. Também participaram da atividade funcionários dos hospitais Mater Dei e Infantil, e dos colégios Mãe de Deus e Barão do Rio Branco.
Mario CesarServiço puxadoFuncionários do Iapar puxam carreta cheia de
latas de óleo: esforço para ajudar Londrina‘‘A idéia foi contribuir com o Dia do Desafio e mostrar a integração que existe entre saúde e educação’’, explica Rosana Medeiros, coordenadora de eventos da Santa Casa.
A movimentação agradou pacientes que estavam internados. Ronaldo Luiz de Oliveira, por exemplo, com a perna engessada e usando muletas, foi para a rua participar do desafio. Há pouco mais de um ano ele sofreu um acidente de moto e agora está internado no hospital para fazer um cirurgia. ‘‘É importante contribuir com a Cidade. Por isso resolvi participar.’’
Zelma Prado Santiago, 61 anos, e Ana Santa, 62, também fizeram questão de ajudar no abraço simbólico à Santa Casa. Por motivos diferentes, elas estão internadas há 17 dias no hospital. ‘‘Não temos nenhuma dificuldade em participar. Pelo contrário, o hospital nos recebeu tão bem que esse é um abraço verdadeiro’’, diz Ana.
ComemoraçãoNo Instituto de Educação Estadual de Londrina (IEEL), além de abraçar a escola, os alunos promoveram arrecadação de alimentos para os flagelados da seca no Nordeste. Tinha de tudo: arroz, feijão, farinha, fubá, açúcar, macarrão, sal, óleo, etc. O professor Jeferson de Lima Sobrinho, coordenador da disciplina de Educação Física, calculava o peso dos alimentos em cerca de uma tonelada. ‘‘Essa é uma causa justa. E senti que os alunos corresponderam muito bem.’’
De manhã, mais de dois mil alunos participaram do abraço simbólico e também do transporte dos alimentos da sala onde estavam guardados para uma caminhonete. Os produtos foram passados de mão em mão. ‘‘É legal porque a gente fica passando os alimentos uns para os outros, e tudo vai pra gente que precisa’’, afirmou Danilo Nakashi, de 5 anos, aluno da pré-escola.
Outras entidades - Escola Benjamin Constant, Colégio São Paulo, Cáritas, da Igreja Católica, e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) - também optaram pela arrecadação de alimentos para campanhas de combate à fome. No Iapar, por exemplo, a orientação foi que os funcionários trouxessem apenas latas de óleo de soja. Resultado: em apenas dois dias, foram arrecadadas mais de 500 latas, que deu para encher uma caminhonete.
Ontem de manhã, segundo Rute da Silva Machineski, assistente administrativa do Iapar e uma das organizadoras da manifestação, cerca de 300 funcionários ainda tiveram disposição de fazer aulas de alongamento, aeróbica e também para puxar a carreta carregada com as latas de óleo. No final, tomaram suco natural. ‘‘Ano passado a gente participou muito pouco. Mas esse ano foi bem legal’’, disse a coordenadora.
Os alunos, pais e professores do Instituto de Educação Infantil, da rua Bélgica, no jardim Igapó (zona sul), promoveram uma atividade inusitada: pintaram cerca de dois quilômetros de meio-fio, saindo da escola até alcançar a barragem do Igapó. ‘‘Esse caminho representa os 25 anos da escola, completados recentemente’’, explicou Elaine Cristina dos Santos Araújo professora de Educação Física. No total, mais de 300 pessoas participaram da atividade, inclusive alunos de 2 a 15 anos de idade.
‘‘Esse ano está um pouco mais cansativo, mas também está muito divertido’’, apontou Ivana Cervantes Maluf, 11 anos, aluna da 5ª série do Instituto. Ela lembra que no ano passado também participou do Challenge Day, ajudando a embrulhar, literalmente, o prédio da escola. ‘‘E é legal porque a gente ajuda a Cidade ficar mais bonita’’, completa Bárbara Helena de Lima Armelin, também da 5ª série.
Além dos exercícios físicos, alunos do Colégio Máxi também fizeram uma campanha para arrecadar agasalhos e cobertores que seriam entregues para a Campanha do Agasalho 98, do Provopar. Já os alunos e professores do Instituto de Surdos (Iles) quiseram dar sua contribuição à Cidade no Dia do Desafio passando um dia diferente. Eles participaram de partidas de boliche e brincaram no parque de diversões do Shopping Catuaí. ‘‘Desta vez, nossos alunos não serão excluídos’’, declarou a diretora do Iles, Marina de Fátima Benedito.
De todas as atividades, a mais barulhenta foi a dos alunos da Escola Fundamental, localizada na Rua Santos, centro de Londrina. De manhã, alunos da pré-escola conversaram sobre a Copa do Mundo de Futebol com o diretor da rádio Paiquerê, JB Farias. Depois, participaram de partidas de vôlei. À tarde, no aeroporto, mais de 100 alunos, de 5ª a 8ª série, foram conhecer os caças F-5 Tiger, da Força Aérea Brasileira (FAB), que estão na Cidade para exercício simulado de defesa aeroespacial.
Em seguida, de mãos dadas, os alunos foramna Praça Nishinomiya, em frente ao aeroporto, formaram um grande ‘‘coração’’ e o encheram de bexigas verdes e amarelas. Todas os balões foram estourados. O barulho - parecido com estouro de fogos de artifício - foi uma homenagem à Seleção Brasileira que está na França para a Copa do Mundo.

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