Dia de visita a presos deve ser tenso com a greve
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sábado, 18 de janeiro de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
A tensão em frente aos portões da Casa de Custódia de Londrina, na zona sul da cidade, pode aumentar hoje. Com os agentes de disciplina em greve desde quinta-feira, a categoria teme que possa haver algum conflito durante a visita de familiares aos 320 detentos. Aos sábados e domingos normalmente cerca de 180 pessoas entram, em média, na unidade prisional. A preocupação foi repassada ontem pela delegada regional do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Paraná (Sinspp), Alessandra Rodrigues Celestino, à juíza substituta da Vara Execuções Penais (VEP) de Londrina, Oneide Negrão. ''Eles foram avisados. Nós nos isentamos de qualquer problema que possa vir a ocorrer'', afirmou Alessandra.
Preocupada, a direção da Casa de Custódia pediu reforço à Polícia Militar (PM). Antes da paralisação dos agentes de disciplina, conforme o próprio diretor, apenas quatro das sete guaritas externas estavam sendo monitoradas por policiais. ''Teremos policiais militares em todas, além de uma viatura de apoio'', disse o diretor da unidade, major Edison Marcos Tomaz. Entretanto, a possibilidade de cortar a visitar neste fim de semana foi descartada pela direção, por orientação do Departamento Penitenciário (Depen) do governo estadual.
Além disso, afirmou o diretor, o Instituto Nacional de Administração Prisional (Inap) antecipou a contratação de 10 novos agentes de disciplina, que já estavam programados para cobrir jornada de agentes em férias, e colocou-os no trabalho ontem. ''Eles já vieram para se ambientar e estão a postos, juntamente com os demais agentes'', informou. A medida foi contestada pelos grevistas. ''Não entramos, enquanto o pessoal novo que estiver lá dentro não sair'', garantiu Alessandra.
Segundo o diretor, a visita dos familiares aos presos será mantida para evitar aumento de tensão entre os internos. ''Se cortássemos, eles ficariam revoltados'', argumentou Tomaz. Os familiares começam a entrar às 8 horas de hoje.
Por outro lado, a adesão ao movimento, conforme o diretor de Assuntos Jurídicos do Sinssp, Valério Sebastião Staback, cresceu e atingiu 90% dos 80 agentes de disciplina em Londrina. Também estão paralisados, conforme Staback, agentes das unidades prisionais de Curitiba e Piraquara. Ontem, em Londrina, eles fizeram uma passeata no Calçadão. Depois, foram recebidos pela juíza substituta da VEP. Ao todo, no Paraná, operam 16 unidades prisionais - das quais 10 administradas pelo Estado, que operam normalmente. A paralisação atinge somente três das seis unidades administradas por empresas terceirizadas.


