Dia de Luto mobiliza 1,5 mil professores
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quarta-feira, 30 de agosto de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Pelo menos 1,5 mil professores e funcionários da rede estadual de ensino, vindos de escolas de vários pontos do Estado, participaram ontem de manhã em Curitiba do já tradicional Dia de Luto e de Luta dos Trabalhadores da Educação Pública do Paraná. A mobilização lembra o dia 30 de agosto de 1988, quando uma manifestação da categoria em frente ao Palácio Iguaçu, durante o governo Álvaro Dias, foi duramente reprimida pela Polícia MiIlitar (PM). Desde então, todo ano os docentes aproveitam a data para protestar e reforçar suas reivindicações.
A manifestação começou às 9 horas com concentração na Praça Santos Andrade, no Centro da Capital. De lá, os participantes seguiram em passeata até o Palácio Iguaçu. A expectativa era que um grupo fosse recebido por representantes do governo do Estado para apresentar a pauta de reivindicações, o que acabou não acontecendo.
''Nós encaminhamos nossa pauta com antecedência. Nem o governador nem outro secretário estava no Palácio para nos receber. Acho que foi um desrespeito com os professores'', avaliou o secretário de Imprensa do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), Luiz Carlos Paixão da Rocha. Segundo a assessoria do governo, o chefe da Casa Civil Rafael Iatauro havia agendado a reunião para as 10 horas, mas os manifestantes só chegaram ao palácio por volta do meio-dia, horário em que ele já tinha outro compromisso.
Desde o início da passeata a direção da APP preocupou-se em manter as propagandas políticas longe do movimento, mas a manifestação não conseguiu escapar do clima de eleição. Já na praça Santos Andrade, cabos eleitorais dos candidatos a governador Roberto Requião (PMDB), Osmar Dias (PDT) e Rubens Bueno (PPS) ensaiavam passos para engrossar o final da passeata. Os pedidos vindos do carro de som dos professores para que não fossem erguidas bandeiras de candidatos na passeata, no entanto, surtiu efeito e a categoria pôde seguir.
Na frente do Palácio, cabos eleitorais de Requião tiveram que ser novamente dispensados pelo movimento. Requião, aliás, foi alvo de várias críticas. As duas principais reivindicações do setor são a equiparação salarial dos professores com as demais categorias de servidores públicos estaduais de nível superior e a implantação do plano de carreira para os funcionários das escolas. Dois projetos de lei contemplando essas propostas foram aprovados pela Assembléia Legislativa, mas foram vetados pelo governador Roberto Requião (PMDB). Os vetos foram, posteriormente, mantidos pelo Legislativo.
Outra reivindicação é a ampliação dos investimentos na educação básica, de forma a cumprir a Constituição Federal, que determina que 25% do Orçamento seja destinado à educação. Apesar das ingerências políticas, a manifestação foi tranquila. Desta vez, a APP e a PM só se desentederam nos números. A APP calcula que 5 mil pessoas participaram do movimento. Já a PM estima em 1,2 mil.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Educação informou que os professores terão que repor a aula. A reportagem procurou a assessoria do governador, mas foi informada que ele estaria no interior e não conseguiu contato. O senador Alvaro Dias também foi procurado, mas ele não retornou a ligação até o fechamento da edição.


