A visita aos túmulos de entes queridos amanhã, no Dia de Finados, é uma tradição entre cristãos. Poucos sabem que o costume nasceu quandos os primeiros cristãos passaram a visitar os primeiros mártires da igreja católica, que morreram ao tentar difundir a religião. De acordo com o padre Joel Ribeiro Medeiros, pároco da igreja São Vicente de Paulo e auxiliar de liturgia da Arquidiocese de Londrina, a visita aos túmulos dos mártires começou a ser difundida no século 1 e depois as pessoas começaram a visitar os jazigos daqueles que tinham uma vida considerada santa, sem máculas. ''Só depois todos os batizados passaram a receber visitas'', expõe.
O religioso conta que no século 4 há registro da memória dos mortos na celebração eucarística, e no século 5 a Igreja Católica passou a dedicar um dia do ano à memória dos mortos. O padre explica que o Dia de Finados passou a ser celebrado em 2 de novembro a partir do século 13, porque o dia 1º de novembro celebra o Dia de Todos os Santos, que são aqueles que já morreram, mas não foram canonizados.
Padre Medeiros destaca que diariamente são rezadas missas em homenagens aos mortos, mas foi criado um dia específico para valorizar aqueles que viveram uma experiência de fé.
O religioso explica que os católicos acendem velas quando vão ao cemitério porque durante o batismo uma vela é acesa representando Jesus Cristo ressucitado. ''Em uma passagem ele diz que é a luz do mundo e aquele que o segue não anda nas trevas'', destaca. Sobre o costume de levar flores, ele relembra que elas estão presentes na vida das pessoas em todas as celebrações desde o nascimento e simbolizam a vida. ''A própria palavra cemitério significa 'onde é semeado'', revela.
Budistas
Os budistas também comemoram a data de finados. De acordo com o bispo Hakuze Ferreira, do Templo Budista Hompoji, no Japão a data é celebrada em agosto, mas no Brasil foi transferida para novembro. ''No Japão chamamos a data de finados de Obon, quando realizamos um culto especial póstumo; montamos um altar lateral onde as pessoas depositam o incenso para que os espíritos possam sentir a energia das pessoas. Também entomamos um mantra, que representa o buda primordial e traz paz interior e espiritual'', relata.
O bispo Ferreira diz que no budismo o culto aos antepassados deve ser feito diariamente e relata que as famílias possuem um altar sagrado em sua casa, chamado Gohozen, que representa todos os santos e divindades do budismo. Dentro desse altar existe um livreto com o nome de todos os antepassados. ''É o local mais importante de nossa casa'', revela.
Para os budistas, segundo ele, a alma é eterna e somente o corpo está sujeito à morte. ''As orações enviam luz para que a alma possa descansar em paz e possa renascer melhor'', explica. O bispo aconselha que todas as pessoas rezem para agradecer a sua existência.
Serviço - Missas católicas de Finados serão celebradas no dia 2 de novembro, às 9 horas, nos cemitérios São Pedro, João XXIII, Parque das Oliveiras, São Paulo, Padre Anchieta, Jardim da Saudade e Parque das Allamandas
Missa budista acontecerá no dia 2 de novembro, às 9 horas, no Templo Budista Hompoji (Rua Albânia, 32, Jardim Igapó).

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