Dia de conscientização sobre as diferenças
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de março de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O Dia Internacional da Síndrome de Down foi marcado ontem por mais uma atividade de conscientização sobre as diferenças entre as pessoas. Ser diferente é normal e, independente das necessidades ou das características físicas, todos devem ser e se sentir inclusos na sociedade. Chamar a atenção da população para o assunto e para o preconceito ainda que velado foi a forma que a APS Down e o Colégio Interativa encontraram para divulgar a data. Mais de 600 cartilhas foram distribuídas no Calçadão de Londrina com o intuito de orientar as pessoas sobre como proceder ao encontrar uma pessoa com deficiência.
O preconceito diminuiu, mas ainda existe o desconhecimento e estamos percebendo isso aqui (ontem, no Calçadão), avalia Neusa Hernandes, assistente social da APS Down. A entidade acredita na inclusão total do deficiente e trabalha com a filosofia de que todos são capazes, cada um no seu tempo. Todos têm diferenças, salienta. Atualmente, Londrina tem cerca de 80 alunos no ensino regular, inseridos no dia a dia das escolas. As crianças (com Síndrome de Down) demoram um pouquinho mais para aprender, mas conseguem acompanhar o conteúdo, diz.
Para receber crianças e adultos, as escolas devem adaptar o currículo e contar com professores capacitados. A maneira de ensinar do docente deve ser mais simples e lúdica, através de jogos principalmente para a aprendizagem da matemática. Já temos casos de alunos com Down que até superaram os alunos normais. Isso ocorreu devido ao comprometimento. As crianças normais também aprendem muito com as nossas crianças (com Down) porque as elas não vêem diferenças, observa Neusa. Desta forma, ela acrescenta, todos convivem normalmente.
A APS Down atende gratuitamente 125 pessoas de 0 a 62 anos. Através de uma parceria com as secretarias estadual e municipal de Educação, a entidade oferece apoio pedagógico às escolas. O atendimento às crianças inseridas no ensino regular é feito duas vezes por semana com apoio pedagógico, oficina de artes, esportes e terapias: ocupacional, fonoaudiologia e fisioterapia. Também são feitas visitas às escolas. Os professores da APS Down são cedidos pelo município e pelo Estado e os profissionais da saúde pelo Sistema Único de Saúde.
Marcos Augusto Odebrecht Schmid, responsável pelo Departamento de Marketing do Colégio Interativa, explica que a síndrome ocorre no cromossomo 21 que, ao invés de dividir-se em duas partes, é separado em três. Sempre trabalhamos com portadores de deficiências. O objetivo é fazer a integração na sociedade como uma pessoa normal e as crianças normais aprendem, desde cedo, a conviver e a lidar com as diferenças, diz.
Choque
A dona de casa Janaína dos Santos Gomes descobriu que a filha, Ágata Fernanda (hoje com cinco anos), era portadora da Síndrome de Down aos dois meses de vida. No começo a gente entra em choque e a tendência é se fechar, mas depois a gente se acostuma e descobre que é normal, afirma. Hoje, aos 26 anos, ela é mãe também de Hendryos, de 3 anos, que nasceu normal. A filha frequenta a primeira série da Educação Infantil em uma escola municipal e, segundo ela, tem o desenvolvimento normal, embora mais lento.
A Ágata brinca, anda de bicicleta, nada. Ela só é mais tímida, mas acho que isso é da personalidade dela, observa Janaína. Temos uma vida normal, vive para eles (os filhos) e é muito gratificante, observa.


