O Dia Internacional da Síndrome de Down é celebrado em 21 de março, fazendo alusão aos 3 cromossomos no par número 21, característico da síndrome. A data foi criada com o objetivo de conscientizar e divulgar informações sobre o assunto e também sobre as necessidades da pessoa com a síndrome, que atinge um a cada 800 nascimentos no Brasil. Uma estimativa aponta que haja cerca de 300 mil pessoas com a síndrome no País.
São pessoas como Júlia Vitória dos Santos, 10 anos, aluna da Escola Municipal Ignes Corso Andreazza, do Conjunto Vivi Xavier, zona norte de Londrina. Segundo sua mãe, a revendedora de cosméticos Nilza Ferreira, o maior desafio é o de integrar sua filha com outras crianças. "Quanto ao aprendizado e a aceitação da escola eu não tive problemas, mas em sala de aula os outros colegas ficam mais afastados e a gente se sente um pouco mal em relação a isso", revelou. Ela conta que a sua filha só se solta quando vai até à APS-Down, entidade especializada no atendimento a pessoas com a síndrome. "Ela frequenta a APS-Down toda segunda e quarta-feira para realizar o tratamento de fisioterápico e receber o apoio pedagógico".
Quem vê a afetividade de Júlia com as outras pessoas não consegue entender esse distanciamento de outras crianças em relação a ela. Ao receber a reportagem, logo sapecou um beijo nas faces do repórter e do fotógrafo e distribuiu abraços. Contou que tem vários amigos, posou para as fotos, mas durante a sessão esteve sempre preocupada em não perder a distribuição de sorvetes que seria feita aos alunos para celebrar a data.
A professora Viviane Pires Santana relata que teve dificuldades para matricular o filho Guilherme, de 13 anos, na escola regular, quando ele entrou na idade escolar. "Visitei mais de 10 escolas e somente uma aceitou." Ela é professora de apoio na rede municipal, e admite que esse trabalho não é fácil, mas é necessário. "A criança tem muito a aprender com a inclusão, tem a socialização que influencia muito o aluno com Síndrome de Down", aponta.
A psicóloga Luciana Giraldi da Costa e Silva Garcia trabalha na Apae e na Secretaria Municipal de Educação e relata que a maior dificuldade é fazer com que a população veja as pessoas com síndrome de Down como pessoas com capacidade e não como pessoas com deficiência.
Questionada sobre como é a aceitação dos alunos na rede pública, Luciana conta que antigamente havia muita resistência das escolas por não saber como receber um aluno com essa característica. "Hoje está cada vez mais acessível. A Secretaria Municipal de Educação tem uma equipe para acompanhar o encaminhamento desses alunos e trabalha diretamente com os professores", relata. Ela destacou que as instituições possuem hoje professores que realizam um atendimento educacional personalizado.
Sobre a relação das crianças com síndrome de Down com outras crianças, a psicóloga relata que é preciso ter um cuidado para que não haja um excesso de proteção. "Há um acolhimento, mas é preciso ter cuidado para que as outras crianças não façam demais por ela, para que a criança consiga trabalhar sua autonomia", adverte. Ela destaca que esse trabalho deve ser feito também com os pais. "Eu sempre digo aos pais que elas não serão crianças eternamente e a família também não é eterna. Se hoje ela pode ser carregada, daqui a dez anos isso não será possível", ressalta.
Para José Mariano de Almeida, pai há 7 meses do Emanuel, isso não tem sido um problema. "Ficamos sabendo sobre a síndrome de Down quando ele estava na barriga. O médico foi indicando o que fazer e a gente recebeu a notícia tranquilamente", destacou. "A orientação que a gente vem recebendo é excelente, sobre como agir no seu desenvolvimento. É nosso primeiro filho e a gente vê como uma benção de Deus. Só trouxe alegria e felicidade. Deus nos deu uma graça e abençoada", declara. Ele diz que não é um bicho de sete cabeças. "É uma criança normal como todas. É uma criança que vive sorrindo com tudo. A dificuldade está na gente e não na criança. Depende dos pais e das mães", argumenta.

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