Que tal aproveitar o Dia Mundial do Câncer – 08 de abril – para tentar derrubar os principais mitos que envolvem a doença? O câncer é hoje a segunda causa de mortes no Brasil e no mundo, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. No Brasil, de acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2016, estima-se a ocorrência de 596 mil casos da doença, reforçando a magnitude do problema no país. Os tipos mais incidentes serão os cânceres de pele não melanoma, próstata, pulmão, cólon, reto e estômago (para o sexo masculino); e os cânceres de pele não melanoma, mama, colo do útero, cólon e reto e glândula tireóide (para o sexo feminino).

Entretanto, o índice de cura tem aumentado substancialmente. Há 50 anos, o índice de mortalidade era de 70%. Hoje, mais de 50% dos doentes conseguem se curar. O oncologista Amândio Soares Fernandes Junior, diretor da Oncomed Belo Horizonte, responde algumas dúvidas sobre o assunto.

Câncer tem cura?
A palavra câncer engloba uma série de doenças distintas com a mesma denominação. Diversos tipos de câncer são potencialmente curáveis, particularmente se detectados numa fase mais precoce. Alguns tipos, mesmo detectados em fases mais avançadas, também são potencialmente curáveis, como o câncer de testículo, coriocarcinoma, linfoma, entre outros. Alguns tipos, quando identificados em fases mais avançadas, não são passíveis de cura.


Câncer é hereditário?
O câncer é uma doença que resulta da interação entre fatores ambientais e genéticos do individuo. Entretanto, uma parcela pequena dos tumores malignos são considerados hereditários (até 10%), e a maioria está relacionada à exposição a fatores ambientais (tabagismo, hábitos alimentares, infecções, exposição solar, etc).

Estresse, depressão e outros problemas psicológicos podem causar o câncer e agravar a doença?
Sabe-se que alterações no sistema imunológico podem predispor ao aparecimento do câncer. A síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), por exemplo, aumenta o risco de certos tipos de câncer, assim como a imunossupressão crônica em pacientes submetidos à transplante de órgãos. Alguns estudos relacionam o estresse, depressão e outros distúrbios psicológicos a alterações no funcionamento do sistema imunológico do indivíduo. Entretanto, o nexo causal direto entre o estresse e a depressão com o aparecimento do câncer ainda não foi demonstrado. No paciente já diagnosticado com câncer, esses sintomas podem levar a uma dificuldade maior para enfrentar o tratamento e ser um empecilho para o sucesso terapêutico e melhoria de qualidade de vida.

Uma dieta inadequada é responsável por grande parte dos casos de câncer?
Verdade. A dieta, juntamente com diversos outros fatores ambientais (tabagismo, exposição solar, infecções, etc), está relacionada ao aparecimento do câncer. É difícil dizer exatamente qual a porcentagem de contribuição de cada fator nos diferentes tipos de tumor, mas uma dieta adequada e saudável pode contribuir significativamente para prevenir alguns tipos de câncer.

Todo tumor é um câncer?
Existem os tumores benignos e os tumores malignos. Estes últimos são sinônimos de câncer.

Há, de fato, o período de cinco anos para garantir que a pessoa não terá mais a doença?
Não existe um período arbitrário, mas a chance de recidiva do tumor, de um modo geral, diminui com o passar do tempo a partir do tratamento.

É verdade que quando o câncer aparece novamente, a doença já não tem cura?
Cada situação deve ser individualizada, e, em vários casos de recidiva, a doença ainda é potencialmente curável.

As células-tronco podem ser consideradas como uma luz no fim do túnel nos casos mais graves de câncer?
A tecnologia das células-tronco pode ser útil em alguns casos, e já é utilizada por exemplo em casos de transplante de medula óssea relacionado ao câncer (é um tipo de tecnologia de células tronco). Vários estudos ainda estão em andamento na tentativa de ampliar a sua utilização de forma eficaz e segura.

A quimioterapia e a radioterapia fazem mal às pessoas?
A quimioterapia e radioterapia podem levar a efeitos colaterais específicos, mas que, na maioria das vezes, são manejáveis. Essas formas de tratamento fazem parte do arsenal terapêutico no combate ao câncer e deve-se discutir com o paciente o risco - benefício de sua utilização.

O uso de desodorantes ou antitranspirantes pode causar câncer de mama?
Recentemente, artigos na Internet alertaram que desodorantes e antitranspirantes podem causar câncer de mama devido à presença, em sua formulação, de substâncias prejudiciais que podem ser absorvidas ou penetrar na pele através de cortes causados pela depilação com lâmina. Entretanto, segundo pareceres técnicos de importantes institutos científicos e órgãos reguladores de saúde de âmbito mundial, como a Anvisa, o FDA (U.S. Food and Drug Administration) e o NCI (National Cancer Institute), não há, até o momento, dados significativos na literatura científica que relacionem o uso de desodorantes e antitranspirantes com a incidência de câncer de mama. São necessárias novas pesquisas para definir se, especificamente, o uso desses produtos causa o acúmulo de parabenos e compostos à base de alumínio no tecido mamário e, ainda, determinar se esses produtos químicos podem causar alterações celulares na mama e levar ao desenvolvimento dessa neoplasia.

mockup