Na cidade, um dia de chuva não impede as pessoas de saírem de casa para ir trabalhar. No máximo incomoda e faz com que sonhem com um dia de folga. Já na zona rural, o solo úmido torna impossível o trabalho nas lavouras. Foi pensando nisso que, ontem, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e o Sindicato Rural de Londrina (SRL), organizaram o Dia da Chuva e Alegria confraternização de comunidades rurais no Distrito de São Luiz (Zona Sul). E em plena quinta-feira útil, os trabalhadores do distrito puderam fazer o que muita gente na cidade estava sonhando: jogaram conversa fora, assistiram a um vídeo com direito a lanche comunitário no final, brincaram e se divertiram.
A bóia-fria Aparecida Guedes de Moraes, 48 anos, aprovou a iniciativa. Para ela, dia de chuva é dia de tédio. ''Serviço na roça não tem, a gente fica parado quando chove e aí, como aqui em São Luiz não tem opção de lazer, o jeito é dormir ou assistir televisão'', disse. Ela aproveitou a confraternização para colocar a conversa em dia com as amigas, as donas-de-casa Marta Prestes do Nascimento, de 30 anos, que levou os dois filhos; e Margarida Faustino de Lima, de 26 anos, que também compartilhou o Dia da Chuva com os três filhos. ''É uma coisa diferente, muito interessante esse Dia da Chuva. Se a gente fica em casa não tem nada para fazer'', disse Marta.
Elas reclamam que não há opções de lazer no distrito. ''Aqui não tem baile para os adultos ou diversão para as crianças. A gente só se encontra quando vai à missa ou no posto de saúde. Tinha que ter um projeto, alguma coisa, pelo menos para as crianças não ficarem pela rua depois da aula'', reivindicou Aparecida. Ontem, pelo menos, as crianças aproveitaram, pois além dos jogos educativos, a expectativa era que o filme ''Procurando Nemo'' agradasse o público. ''Meus filhos não viam a hora de vir para cá'', afirmou Marta.
A organização do evento também levou técnicos para prestar informações sobre cursos de capacitação, aposentadoria de agricultores, questões legais e documentação de propriedades. No entanto, a participação do público masculino foi pequena. Um dos organizadores do evento, o engenheiro agrônomo Rafael Figueiredo, do Sindicato Rural de Londrina, disse que a expectativa era que mais pessoas participassem. ''A idéia era que a família toda viesse. Estávamos esperando mais gente, pelo menos umas 150 pessoas, o que corresponde a 10% da população do distrito'', disse. Mesmo assim, ele se diz entusiasmado com a idéia de um dia de confraternização e já pensa em outras edições do evento, ''talvez em comunidades menores''. Para o final de semana, segundo o Iapar, a previsão é de sol.

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